A empresa que assinou contrato de R$ 3,5 milhões sem licitação para fornecer livros à Prefeitura de Cuiabá é representada por uma palestrante que dividiu evento com o então futuro secretário municipal de Educação, Amauri Monge Fernandes, em 2019.
Dois meses após ser nomeado para a pasta na gestão Abilio Brunini (PL), Amauri autorizou a contratação da CONTAGIE LTDA, de Alessandra Aranda Nicolau, por R$ 3.511.939,00. O extrato do contrato nº 152/2025, publicado na Gazeta Municipal, foi firmado por inexigibilidade de licitação.
A ligação entre os dois vem de antes. Em 2019, Amauri era Secretário Regional de Educação do Consórcio de Desenvolvimento e Inovação do Norte do Paraná (CODINORP). No mesmo ano, em evento do consórcio em Londrina (PR), Alessandra participou como palestrante. À época, ela era assessora pedagógica da Somos Educação e falou sobre “pedagogia afetiva e formação docente”.
Ata do evento da CODINORP confirma a presença de ambos: Amauri como representante do consórcio e Alessandra como palestrante convidada. (Veja ao final).
Na rede social Facebook há registro de uma reunião com a participação de
Amauri e a assessora pedagógica da Somos Educação.
No atual cenário em que o prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) e o ex-secretário Amauri Monge estão no centro do debate sobre possível contratações indevidas e suposta
'pedalada fiscal', o contrato firmado em Cuiabá em 2025 llevanta suspeita sobre a proximidade prévia entre contratante e contratada na compra de material didático sem disputa. Não foi possível, até o momento, identificar o material adquirido pela SME, nem como ele é utilizado nas salas de aula.
O TCE e o MP-MT investigam os contratos firmados pela SME-Cuiabá para aquisição de materiais didáticos. Grande parte dos livros e outros materiais estão sem uso nas escolas.
Durante fiscalização realizada na última semana, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Sérgio Ricardo, afirmou ter identificado R$ 21 milhões em livros sem uso e suspeita de maquiagem no Ideb de MT.
Segundo o presidente do TCE, 62% dos materiais didáticos no estado foram adquiridos sem licitação.
Até o momento desta publicação não conseguimos contato com o ex-secretário Amauri Monge para comentar as informações. O espaço segue aberto para manifestação.
