28/05/2026 - 12:48 | Atualizada em 28/05/2026 - 14:00
Cícero Henrique
A gestão do prefeito Abilio Brunini voltou ao centro de uma grave crise política nesta quinta-feira (28), após a vereadora Maysa Leão protocolar um pedido de CPI para investigar contratos e movimentações financeiras da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá.
Em discurso duro na tribuna, Maysa fez acusações pesadas contra a administração bolsonarista e questionou a retirada de R$ 75 milhões que eram destinados à educação inclusiva. A parlamentar classificou a situação como um escândalo e afirmou que a prefeitura mergulhou a rede municipal em um cenário de desorganização, insegurança e revolta.
Maysa também criticou o recadastramento das CADs determinado pela prefeitura, que obrigou cuidadoras e cuidadores a enfrentar filas durante o fim de semana, à noite, no relento e nas calçadas, depois de longas jornadas de trabalho, para entregar documentos que já estavam cadastrados pela própria gestão municipal.
Segundo a vereadora, a situação expôs despreparo administrativo e desrespeito com profissionais que sustentam o atendimento educacional. A revolta aumentou quando, após assinar a retirada dos R$ 75 milhões para pagamento de folha, o prefeito apareceu dois dias depois alegando que havia R$ 80 milhões cujo destino seria desconhecido. “Ou isso é incompetência ou é corrupção?”, disparou Maysa.
Ontem (27) o próprio prefeito Abilio Brunni veio a público denunciar suspeita de irregularidade em contrato de aquisição de livros didáticos, com prejuízo de R$ 80 milhões, firmado pela Secretaria Municipal de Educação. Abilio terceirizou a responsabilidade e disse que o caso seria levado ao Ministério Público para apuração.
Enquanto as denúncias se acumulam, a base de sustentação do prefeito na Câmara segue em silêncio absoluto. Nenhuma resposta convincente foi apresentada à população e aos vereadores diante da gravidade das acusações.
O pedido de CPI já reúne cinco assinaturas e fortalece a pressão por uma investigação formal dentro do Legislativo.
A declaração da vereadora ecoou forte no plenário: quem teme CPI, teme transparência e quem tenta barrar fiscalização em meio a tantas denúncias acaba levantando ainda mais suspeitas sobre o que realmente está sendo escondido dentro da educação de Cuiabá.
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