26/05/2026 - 13:46 | Atualizada em 27/05/2026 - 11:08
Cícero Henrique
A vereadora Maysa Leão fez um duro pronunciamento na tribuna da Câmara de Cuiabá e partiu para cima da gestão do prefeito Abilio Brunini ao denunciar o bloqueio de emendas impositivas e o que classificou como um desrespeito aberto ao papel do Legislativo. Segundo a parlamentar, a postura do prefeito contradiz o próprio discurso adotado quando venceu a eleição e buscou apoio dentro da Câmara prometendo parceria e diálogo para execução das emendas. “A lei é clara: o Executivo não pode deixar de pagar emenda impositiva por discordância política. Isso é irregularidade, pode gerar apontamento do Tribunal de Contas e até reprovação de contas”, disparou.
Maysa afirmou que mais de R$ 2 milhões destinados por seu gabinete seguem sem execução e cobrou transparência da Prefeitura sobre onde esse dinheiro foi parar. Entre os recursos travados, ela citou R$ 700 mil encaminhados para os CAPS de Cuiabá e outros R$ 100 mil para o projeto Harmonia Diferente, que atende crianças autistas e teve todos os equipamentos furtados recentemente. A vereadora lembrou que o próprio prefeito já posou para fotos com o projeto, elogiou publicamente o trabalho e sancionou a lei de utilidade pública da iniciativa, mas até agora não liberou a verba. “Ele faz chacota do papel do vereador. Diz que esta Casa e nada é a mesma coisa. Quero saber onde ele colocou mais de R$ 2 milhões destinados para Cuiabá”, questionou.
A parlamentar também detonou o decreto 12.056/2026, publicado na Gazeta Municipal, e acusou Abilio de desmontar a política de inclusão ao remanejar R$ 75 milhões da Secretaria de Educação que, segundo ela, deveriam fortalecer o atendimento às pessoas com deficiência e crianças atípicas. “Ele retirou R$ 75 milhões das crianças atípicas dentro da educação municipal”, criticou. Maysa ainda denunciou a sobrecarga enfrentada por professores sem estrutura, sem capacitação e sem salas adequadas, além das longas filas nos CAPS para recadastramentos repetidos. “É esse prefeito que não temos condições de apoiar”, concluiu, elevando ainda mais a pressão política sobre o Palácio Alencastro.
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