25/05/2026 - 12:29 | Atualizada em 25/05/2026 - 20:44
Cícero Henrique
A mobilização unificada dos servidores públicos estaduais nesta segunda-feira (25), em Cuiabá, escancara uma crise que o governo de Mato Grosso vem tentando empurrar para debaixo do tapete: a falta de diálogo com quem sustenta diariamente a máquina pública. Enquanto categorias da educação, saúde e demais setores cobram a recomposição de perdas salariais acumuladas e reivindicações históricas, o Palácio Paiaguás mantém distância e silêncio diante de demandas que afetam milhares de trabalhadores e seus familiares.
A cobrança pelo pagamento dos 18,38% da Revisão Geral Anual (RGA) virou símbolo do desgaste entre o funcionalismo e a gestão estadual. Para os sindicatos, o problema já ultrapassou a pauta econômica e passou a representar desrespeito institucional. A ausência de uma negociação concreta e a demora em apresentar respostas aprofundam a sensação de abandono entre servidores que, além da corrosão salarial, enfrentam jornadas exaustivas, falta de estrutura e insegurança sobre o futuro das carreiras.
Outro ponto de forte indignação é a manutenção do desconto previdenciário de 14% sobre aposentadorias, medida que continua penalizando servidores que já dedicaram décadas ao Estado. A cobrança é vista pelas entidades como uma política que sacrifica quem deveria estar recebendo reconhecimento e estabilidade após anos de contribuição. O impacto é sentido no orçamento doméstico e tem levado muitos aposentados ao endividamento, num cenário que contrasta com a imagem de equilíbrio fiscal frequentemente celebrada pelo governo estadual.
A pressão nas ruas também expõe um problema estrutural: a falta de concursos públicos e a dependência crescente de contratos temporários, especialmente na educação e na saúde. Para os sindicatos, Mato Grosso vive uma contradição cada vez mais difícil de justificar: enquanto arrecada e exibe indicadores econômicos positivos, mantém áreas essenciais funcionando com déficit de pessoal e trabalhadores pressionados. O ato desta segunda reforça que a insatisfação deixou de ser isolada e pode ganhar novos capítulos caso o governo continue tratando a pauta dos servidores com demora e resistência.
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