O atual modelo dos hospitais públicos de Mato Grosso tem travado o acesso de quem vive no interior aos serviços de urgência e emergência. A crítica é do senador Jayme Campos (União-MT), feita durante reunião da bancada federal com prefeitos mato-grossenses em Brasília, na Marcha dos Prefeitos da CNM.
“Hospital tem que funcionar de porta aberta. Quebrou o dedo, a perna, levou um tiro, tem que entrar. Sou contra hospital de porta fechada”, disparou o senador. Ele defendeu que unidades públicas existem para atender traumas, acidentes e casos urgentes, sem que o paciente fique refém da burocracia da regulação.
Jayme citou o
Hospital Central, em Cuiabá, e o hospital de Alta Floresta como exemplos de estruturas que precisam ampliar o atendimento direto à população. Para ele, o Estado deve rever prioridades e garantir que o investimento em saúde vire acesso real, principalmente para o interior.
Quebrou o dedo, a perna, levou um tiro, tem que entrar. Sou contra hospital de porta fechada.
O senador também
cobrou mais leitos de UTI. Segundo ele, a falta de vagas provoca um drama recorrente: “Recebo pedido de ajuda dia sim, dia não. Quando a regulação responde, muitas vezes o cidadão já morreu no interior”. Ex-prefeito de Várzea Grande por três mandatos e ex-governador, Campos disse conhecer o sufoco dos municípios. Afirmou que as prefeituras estão sobrecarregadas, sem verba para manter atendimento básico, transporte de pacientes e consórcios regionais.
Na avaliação dele, a distribuição de recursos estaduais precisa mudar. Citou o consórcio de Arenápolis, que atende Nortelândia, Santo Afonso, Marilândia, Denise e Nova Olímpia. “Tem consórcio recebendo praticamente o mesmo valor de cinco, seis anos atrás. Como sobrevive?”, questionou. Para o senador, é inaceitável que o Estado tenha arrecadação forte enquanto prefeituras penam para manter serviços essenciais.
Jayme afirmou que tem destinado emendas parlamentares aos 142 municípios, conforme a demanda dos prefeitos: “É o que posso atender. Se pudesse mais, atenderia muito mais”. Ele informou ainda que cerca de R$ 300 milhões em emendas de sua autoria já estão sendo liberadas às prefeituras. O dinheiro deve reforçar saúde, assistência social, infraestrutura e serviços públicos.