21/05/2026 - 13:20 | Atualizada em 21/05/2026 - 14:28
Cícero Henrique
A aprovação de uma nota de repúdio da Câmara Municipal de Cuiabá contra o Ministério da Saúde escancarou mais uma vez o vazio político que domina parte do Legislativo cuiabano. Enquanto a população enfrenta filas intermináveis, falta de medicamentos e unidades de saúde sobrecarregadas, vereadores decidiram transformar a tribuna em palco para um gesto simbólico que não produz qualquer efeito prático para quem depende do SUS. A medida não obriga o ministério a responder, mudar decisões ou adotar providências. Na prática, trata-se apenas de uma manifestação política sem força legal.
O episódio levanta questionamentos sobre as verdadeiras prioridades da Câmara. Em vez de fiscalizar com rigor a situação caótica da saúde municipal, cobrar soluções concretas da prefeitura ou apresentar propostas que aliviem o sofrimento da população, parte dos parlamentares preferiu investir em um ato de confronto político que serve mais para gerar manchetes do que resultados. A nota de repúdio funciona como peça de pressão institucional e narrativa ideológica, mas não resolve a ausência de médicos, a demora em exames ou o colapso recorrente das unidades de atendimento.
A atitude também evidencia um comportamento cada vez mais comum na política brasileira: o uso de moções e notas simbólicas como ferramenta de militância institucional. O problema é que esse tipo de espetáculo político consome tempo e energia do poder público sem entregar qualquer benefício concreto ao cidadão. Enquanto vereadores disputam protagonismo em embates nacionais, Cuiabá continua convivendo com problemas básicos que exigem ação administrativa séria e fiscalização eficiente.
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No fim, a população percebe quando a política abandona a prática para investir apenas em gestos de efeito. Uma nota de repúdio pode render discursos inflamados e aplausos entre aliados, mas não melhora atendimento hospitalar, não reduz filas e muito menos salva vidas. O que Cuiabá precisa é de uma Câmara atuante, fiscalizadora e comprometida com soluções reais e não de manifestações simbólicas que terminam apenas como mais um capítulo do teatro político brasileiro.
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