18/05/2026 - 11:13
Cícero Henrique
O discurso de “defesa do trabalhador” simplesmente desmorona quando parte da bancada federal de Mato Grosso decide assinar uma emenda que, na prática, joga o fim da escala 6x1 para um futuro distante. Os deputados mato-grossenses Rodrigo da Zaeli (PL-MT), Nelson Barbudo (Podemos-MT), Juarez Costa (Republicanos-MT), José Medeiros (PL-MT) e Coronel Fernanda (PL-MT) aparecem entre os 171 parlamentares que apoiam a proposta que empurra a redução da jornada de trabalho para apenas 2036. Enquanto milhões de brasileiros enfrentam exaustão física e mental em jornadas sufocantes, esses parlamentares optaram por proteger interesses econômicos e manter privilégios patronais acima da qualidade de vida do trabalhador.
A emenda protocolada pelo deputado Tião Medeiros (PP-PR) representa um duro golpe contra quem depende do salário no fim do mês para sobreviver. O texto cria brechas para que setores considerados “essenciais” continuem explorando jornadas de até 44 horas semanais, além de impor uma espera absurda de dez anos para que qualquer mudança entre em vigor. Na prática, trata-se de uma manobra política que esvazia completamente a proposta original do fim da escala 6x1 e transforma um direito trabalhista em promessa distante e incerta.
Em Mato Grosso, a adesão desses deputados à proposta acende ainda mais o debate sobre o distanciamento entre os parlamentares e a realidade da população. Em um estado onde milhares de trabalhadores enfrentam jornadas desgastantes no comércio, agronegócio, transporte e serviços, a expectativa era de apoio a medidas que aliviassem a sobrecarga da classe trabalhadora. Em vez disso, parte da bancada federal preferiu se alinhar ao setor mais conservador da Câmara, reforçando um modelo de trabalho criticado por especialistas em saúde mental, produtividade e direitos humanos.
O movimento também expõe uma contradição política evidente: muitos desses deputados costumam defender pautas populares nas redes sociais, mas, na prática, assinam propostas que retardam avanços trabalhistas históricos. Enquanto pesquisas apontam amplo apoio popular ao fim da escala 6x1, a bancada contrária tenta transformar a discussão em um labirinto burocrático e legislativo. Para milhares de trabalhadores mato-grossenses, a mensagem que fica é clara: o descanso, a convivência familiar e uma rotina menos exaustiva parecem não ser prioridade para parte dos representantes eleitos pelo estado.
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