18/05/2026 - 10:50 | Atualizada em 19/05/2026 - 11:39
Cícero Henrique
O prefeito de Abilio Brunini parece ter encontrado sua verdadeira prioridade política: rodar o interior de Mato Grosso em campanha antecipada ao lado do governador Otaviano Pivetta, enquanto Cuiabá segue mergulhada em problemas crônicos. Neste sábado, Abilio abandonou a capital para marcar presença em Diamantino, a 182 quilômetros de distância, numa agenda que teve muito mais cara de palanque eleitoral do que de compromisso institucional. Curiosamente, longe de Cuiabá, também desapareceu o prefeito performático das redes sociais, sempre pronto para vídeos, cortes e encenações digitais para alimentar sua militância virtual.
É impossível ignorar o simbolismo da cena: enquanto a população cuiabana enfrenta desafios diários na saúde, infraestrutura e mobilidade urbana, o chamado “Prefeito Tik Tok” prefere atuar como garoto-propaganda político de Otaviano Pivetta. O gestor que deveria estar concentrado em administrar a capital escolheu gastar energia em articulações eleitorais no interior, reforçando a percepção de que Cuiabá virou apenas um trampolim para projetos ideológicos e alianças políticas da extrema direita bolsonarista em Mato Grosso.
O movimento também escancara uma crise silenciosa dentro do próprio PL. Ao subir no palanque informal de Pivetta, Abilio Brunini manda um recado cristalino: o senador Wellington Fagundes, nome do seu próprio partido para disputar o governo, não recebe nem de longe o mesmo entusiasmo. A fidelidade partidária desaparece quando entra em cena o projeto político pessoal e a construção de alianças visando 2026. Abilio atua cada vez mais como operador político de Pivetta do que como prefeito da maior cidade do estado.
Pelo menos desta vez, Otaviano Pivetta foi poupado do constrangimento dos espetáculos coreografados por Abilio Brunini nas periferias de Cuiabá. Não houve polichinelos, vídeos caricatos ou tentativas desesperadas de parecer “popular” para as redes sociais. Em Diamantino, o prefeito apenas confirmou aquilo que muitos cuiabanos já perceberam faz tempo: enquanto a capital pede gestão, presença e solução, Abilio prefere o palco eleitoral, a militância digital e o marketing político permanente.
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