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Oito capitais brasileiras, menos Cuiabá, firmam pacto histórico para proteger crianças da violência urbana

VIOLÊNCIA INFANTIL

16/05/2026 - 11:02 | Atualizada em 17/05/2026 - 10:35

Cícero Henrique

Oito capitais brasileiras, menos Cuiabá, firmam pacto histórico para proteger crianças da violência urbana

Foto: Reprodução

A ausência da Secretaria Municipal de Cuiabá em um encontro nacional promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, o UNICEF, expôs mais uma vez o isolamento da capital mato-grossense em debates estratégicos sobre proteção à infância e combate à violência urbana. Enquanto oito capitais brasileiras assinaram a chamada “Carta do Rio por Cidades que Protegem Crianças e Adolescentes”, consolidando compromissos para enfrentar a escalada da violência contra menores, Cuiabá ficou de fora de uma agenda considerada prioritária por especialistas em direitos humanos, educação e assistência social. A ausência chamou atenção justamente em um momento em que o país discute o avanço da violência em áreas urbanas e o colapso de políticas públicas voltadas à infância.

O encontro, realizado no Rio de Janeiro, reuniu cerca de 100 gestores municipais das áreas de educação, saúde, assistência social e direitos humanos de capitais como São Paulo, Salvador, Recife e Manaus. O pacto firmado prevê integração entre políticas públicas, fortalecimento da rede de proteção, combate à violência sexual, enfrentamento das desigualdades raciais e territoriais e aplicação efetiva da Lei da Escuta Protegida. O dado mais alarmante apresentado pelo Unicef reforçou a gravidade do cenário: mais de 2.200 crianças e adolescentes morreram de forma violenta entre 2021 e 2023 nessas oito capitais participantes. Em meio a um debate dessa magnitude, o silêncio e a ausência de Cuiabá geraram críticas nos bastidores por demonstrarem falta de protagonismo em uma pauta considerada urgente.

A exclusão de Cuiabá do pacto nacional levanta questionamentos sobre quais são, de fato, as prioridades da gestão municipal diante do avanço das vulnerabilidades sociais e da violência que atinge crianças e adolescentes nas periferias urbanas. Especialistas alertam que políticas públicas para a primeira infância não podem ser tratadas como eventos secundários ou agendas protocolares. Em um cenário marcado por desigualdade, evasão escolar, violência doméstica e precarização dos serviços públicos, deixar de participar de articulações nacionais dessa relevância representa mais do que uma ausência institucional simboliza o distanciamento de Cuiabá de uma mobilização nacional voltada à proteção integral da infância e da adolescência.

 

 

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