Investigações conduzidas no Supremo Tribunal Federal (STF) e reportagens publicadas entre 2025 e 2026 colocaram sob escrutínio o destino de recursos públicos enviados por parlamentares do PL a uma organização ligada à produção do filme “Dark Horse” (“O Azarão”), cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No centro da apuração estão as chamadas “emendas Pix”, modalidade de transferência direta de recursos públicos sem necessidade de convênio formal detalhado, utilizadas por deputados federais para destinar verbas à Academia Nacional de Cultura (ANC). Segundo as investigações, a entidade mantém vínculos diretos com a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo longa-metragem.
Os parlamentares citados no caso são
Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. Juntos, eles teriam destinado cerca de R$ 2,6 milhões em emendas Pix ao longo de 2024 para a ANC.
De acordo com os dados reunidos pela investigação,
Frias enviou R$ 2 milhões à entidade. Pollon, por sua vez, destinou R$ 1 milhão inicialmente para a Secretaria de Cultura de São Paulo, verba que, segundo reportagens, teria conexões indiretas com o ecossistema de produção do filme. Bia Kicis também aparece entre os parlamentares que direcionaram recursos à ONG.
A principal
conexão apontada entre a ANC e a produção cinematográfica envolve Karina Ferreira da Gama. Ela preside a Academia Nacional de Cultura e também figura como
sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora encarregada de “Dark Horse”.
Diante das suspeitas, o ministro
Flávio Dino determinou que os parlamentares apresentassem esclarecimentos sobre os repasses. O STF busca entender se houve desvio de finalidade no uso das emendas parlamentares e se recursos públicos acabaram beneficiando direta ou indiretamente a produção audiovisual.
Em resposta às acusações, Mário Frias negou qualquer utilização de dinheiro público no financiamento do longa. Segundo o deputado, “Dark Horse” seria uma “superprodução” bancada integralmente com capital privado. A defesa sustenta que os recursos enviados à ANC não possuem relação com o filme.
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As investigações ocorrem em meio a um debate mais amplo sobre transparência e rastreabilidade das emendas Pix, mecanismo que já vinha sendo alvo de críticas de órgãos de controle e do próprio Supremo por dificuldades na fiscalização da aplicação dos recursos.
Além do caso envolvendo “Dark Horse”, reportagens publicadas em março de 2025 mencionaram
outros repasses de parlamentares bolsonaristas para produções audiovisuais ligadas ao entorno do ex-presidente. Entre eles
, R$ 500 mil atribuídos ao então deputado Eduardo Bolsonaro para um documentário relacionado a um ex-assessor.
Dirigido por Cyrus Nowrasteh, “Dark Horse” pretende retratar a trajetória política de Jair Bolsonaro até sua eleição em 2018. O projeto tem orçamento estimado em R$ 134 milhões e vem sendo apresentado como uma produção de grande porte voltada ao mercado internacional.