O discurso bolsonarista de que a eleição de 2026 estaria automaticamente encaminhada para um “herdeiro” de Jair Bolsonaro sofreu um duro choque de realidade vindo justamente de onde a direita costuma buscar validação: o mercado financeiro internacional. Em uma conferência fechada em Nova York, a maior gestora de ativos do planeta, BlackRock, colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como favorito à reeleição e simplesmente ignorou o senador Flávio Bolsonaro no cenário principal da disputa presidencial. A ausência fala mais alto do que qualquer ataque político: mostra que, fora da bolha ideológica bolsonarista, o nome tratado como sucessor natural de Jair Bolsonaro ainda não conseguiu se consolidar como liderança nacional competitiva.
O episódio expõe uma contradição que incomoda profundamente setores da extrema direita brasileira. Durante anos, bolsonaristas venderam a narrativa de que dominavam a economia, tinham apoio irrestrito do mercado e representavam a “confiança” internacional. Mas a leitura feita por investidores em Nova York aponta justamente o contrário: Lula aparece associado à estabilidade econômica, crescimento e previsibilidade institucional, enquanto o bolsonarismo segue preso ao discurso de radicalização, conflitos permanentes e guerra cultural. Em vez de apresentar propostas econômicas robustas, a direita bolsonarista continua apostando em polarização emocional, ataques ao Supremo, teorias conspiratórias e mobilização ideológica nas redes sociais.
O mais simbólico é que Flávio Bolsonaro não foi sequer tratado como ameaça central na disputa. Para um grupo político que tenta transformar o sobrenome Bolsonaro em patrimônio eleitoral eterno, a invisibilidade internacional pesa como um sinal de desgaste. O mercado pode errar previsões, pesquisas podem mudar e a eleição está longe de definida, mas o recado vindo da maior gestora do mundo é claro: hoje, o bolsonarismo parece mais concentrado em alimentar militância digital do que em convencer setores econômicos e institucionais de que possui um projeto sólido para o Brasil pós-Bolsonaro.