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Brasil sob tensão: medo da violência muda a rotina de milhões de pessoas

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11/05/2026 - 09:05

Cícero Henrique

Brasil sob tensão: medo da violência muda a rotina de milhões de pessoas

Foto: Reprodução

O crescimento da sensação de insegurança tem provocado impactos significativos na rotina da população brasileira, segundo o relatório “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha. O estudo aponta que 57% dos brasileiros modificaram hábitos cotidianos nos últimos 12 meses devido ao medo da violência, enquanto 96,2% afirmam temer ao menos uma situação relacionada à criminalidade. Os dados indicam que a percepção de insegurança passou a influenciar diretamente padrões de mobilidade, consumo e convivência social em diferentes regiões do país.

Entre as principais mudanças comportamentais identificadas pela pesquisa estão a alteração de trajetos habituais (36,5%), a redução de saídas no período noturno (35,6%) e a decisão de evitar portar celulares em locais públicos por receio de assaltos (33,5%). O levantamento também registra que 26,8% dos entrevistados deixaram de utilizar acessórios pessoais, como alianças e joias, enquanto 22,5% desistiram de adquirir determinados bens por medo de roubos ou furtos. Segundo o relatório, essas adaptações refletem um processo contínuo de autoproteção social, no qual a população reorganiza comportamentos cotidianos para reduzir a exposição a riscos associados à violência urbana.

A pesquisa destaca ainda que a experiência da insegurança ocorre de maneira desigual entre grupos sociais e econômicos. As mulheres apresentam índices de medo superiores aos dos homens em todas as situações analisadas, especialmente em relação à violência sexual e às restrições de circulação em espaços públicos. De acordo com o estudo, 40,9% das mulheres deixaram de sair à noite, percentual superior ao registrado entre os homens. A desigualdade econômica também influencia a percepção da violência: enquanto as classes A e B demonstram maior preocupação com crimes patrimoniais e fraudes digitais, as classes D e E enfrentam uma insegurança mais ligada à violência física e territorial. O relatório conclui que o medo da criminalidade tornou-se um fator estruturante da vida cotidiana, afetando mobilidade urbana, relações sociais e qualidade de vida da população brasileira.


 

 

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