08/05/2026 - 18:40 | Atualizada em 08/05/2026 - 18:50
Cícero Henrique
O Plano de Saúde do Senado Federal, destinado a senadores, ex-senadores e dependentes, consumiu cerca de R$ 314 milhões nos últimos 12 anos, em valores corrigidos pela inflação. Entre os beneficiários estão nomes históricos da política brasileira, como Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Eduardo Suplicy, Fernando Collor e Marta Suplicy. O benefício vitalício inclui cobertura médica no Brasil e no exterior, além de serviços como UTI aérea e atendimento em hospitais de referência, como o Hospital Sírio-Libanês e o Hospital Israelita Albert Einstein.
O ministro do STF Flávio Dino também teve o acesso ao plano garantido após assumir, por apenas 21 dias, uma vaga no Senado em 2023. Na sequência, licenciou-se para comandar o Ministério da Justiça no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, meses depois, renunciou ao mandato para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Segundo o Senado, o benefício é assegurado desde a posse e independe do tempo de permanência no cargo.
Atualmente, o plano atende 564 beneficiários, sendo 80 senadores em exercício, 185 ex-parlamentares e seus respectivos dependentes. Entre os integrantes estão o senador Flávio Bolsonaro, apontado como possível presidenciável, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A lista inclui ainda dezenas de ex-governadores que mantêm acesso ao convênio médico custeado parcialmente com recursos públicos.
Os dados também chamam atenção pelo acúmulo de remunerações de alguns beneficiários. O ex-senador Aloizio Mercadante, por exemplo, permanece vinculado ao plano enquanto recebe salário bruto superior a R$ 117 mil na presidência do BNDES. Já o ex-senador Jorge Viana acumulou aposentadoria parlamentar, pensão de ex-governador e salário na ApexBrasil durante sua passagem pela agência. Situação semelhante ocorre com José Sarney e Eduardo Suplicy, que somam aposentadorias e salários públicos elevados.
O Senado afirma que todos os beneficiários contribuem financeiramente para o custeio do plano, incluindo parlamentares, dependentes e ex-senadores. Mesmo assim, os valores pagos mensalmente são considerados baixos diante da cobertura oferecida. Segundo informações da Casa, um senador na faixa dos 50 anos paga cerca de R$ 600 mensais pelo convênio, enquanto dependentes e familiares possuem cobranças diferenciadas conforme idade e categoria.
Em resposta aos questionamentos, as assessorias dos envolvidos sustentam que todos os pagamentos e benefícios seguem a legislação vigente. O Senado reforçou que o direito ao plano está previsto nas normas internas da Casa, aprovadas pelo próprio Congresso Nacional, e que os cálculos de aposentadorias e contribuições obedecem às regras estabelecidas para parlamentares e ex-parlamentares.
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