Relatório da CST sobre feminicídio em MT aponta falhas estruturais e cobra prioridade no combate à violência contra a mulher
Edna Sampaio, que presidiu a CST, cobra mais ação e menos propaganda
06/05/2026 - 13:03 | Atualizada em 06/05/2026 - 18:40
Cícero Henrique
Foto: Reprodução
Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso a sessão Plenária realizada nesta quarta-feira (6) recebeu mulheres que protestam pelos altos índices de feminicídio em Mato Grosso, proporcionalmente um dos maiores do Brasil. O relatório da Câmara Setorial Temática (CST) sobre o feminicídio em Mato Grosso foi entregue nesta data.
"Não podemos mais aceitar que Mato Grosso lidere estatísticas de violência. É hora de cobrar políticas públicas efetivas e o fim do silêncio!", afirmou a deputada suplente Edna Sampaio (PT), que cobrou o enfrentamento da violência contra a mulher.
Mato Grosso é o estado com índice alarmante de feminicídio, liderando o ranking nacional desde 2023. Em 2026 a tendência é de alta, com 14 casos registrados. Segundo ela, o problema não é apenas técnico ou administrativo, mas essencialmente político e estrutural, pois está ligado à desigualdade de gênero e à posição hierarquicamente inferior imposta às mulheres na sociedade. Para a parlamentar, é fundamental que o debate extrapole os limites institucionais e seja apropriado pela sociedade, ampliando o controle social sobre as ações governamentais.
Edna Sampaio destacou que os índices de assassinatos de mulheres em Mato Grosso superam a média nacional quando analisados de forma proporcional. Enquanto o país registra cerca de 1,6 morte a cada 100 mil mulheres, o estado chega a aproximadamente 2,7, com municípios que alcançam números ainda mais alarmantes.
Os dados mostram que alguns municípios apresentam taxas de feminicídio muito superiores à média nacional. Cáceres lidera o ranking, com taxa de 15,3, seguida por Lucas do Rio Verde (14,6), Sinop (14,3), Sorriso (12,8) e Rondonópolis (9,1). Já Várzea Grande registra 6,3. Mesmo Cuiabá, capital do estado e com maior estrutura de atendimento, como delegacias 24 horas e rede de proteção mais organizada, apresenta índice inferior aos demais, mas ainda assim acima da média estadual, evidenciando a gravidade do problema em todo o território.
O relatório concluiu que os feminicídios não são casos isolados, mas resultado de falhas nas políticas públicas e na rede de proteção.
Edna Sampaio afirma que enquanto o Executivo fala em aumentar as unidades de atendimento, não existe um sequer um protocolo de conduta para orientar os responsáveis.