01/05/2026 - 14:01 | Atualizada em 03/05/2026 - 14:45
Cícero Henrique
O vereador Dídimo Vovô (PSB) jogou gasolina no debate político local ao escancarar, em entrevista ao Caldeirão Político, o que classificou como um “cenário de caos administrativo e descontrole financeiro” na gestão do prefeito Abilio Brunini (PL). Segundo o parlamentar, a capital mato-grossense vive um contraste gritante entre discurso e prática: “O prefeito dizia que resolveria tudo com R$ 5 milhões, mas hoje a secretaria opera com R$ 35 milhões e ainda promove remanejamentos abusivos. É uma gestão de lacração nas redes sociais, que fala muito, mas faz justamente o contrário”.
A denúncia ganha contornos ainda mais explosivos ao atingir diretamente a Secretaria de Comunicação (Secom). Dídimo afirma que houve um salto de cerca de 800% no orçamento da pasta, acompanhado de forte opacidade. “Solicitamos documentos e tivemos acesso negado. Só conseguimos via Justiça. O que encontramos é um quebra-cabeça já montado, mostrando como influenciadores e sites estão sendo pagos para enaltecer o prefeito”, acusou. De acordo com ele, há indícios de um esquema estruturado: “Tem gente com pouco mais de 2 mil seguidores sendo contratada. Isso não é espontâneo. Ninguém trabalha de graça. Nesse angu tem caroço”.
O vereador também revelou números que, segundo ele, escancaram a falta de critérios e possíveis irregularidades. “São 125 empresas recebendo diretamente da Secom. Há sites recém-criados, com o mesmo endereço, telefone, e-mail e contador, faturando recursos públicos. Temos casos de sites abertos no fim de 2024 e início de 2025 já recebendo valores altos”, afirmou. Dídimo destacou ainda que já possui comprovantes e documentos que indicariam pagamentos a empresas, sites e veículos, obtidos por decisão judicial, e que o material está sendo analisado para embasar uma possível denúncia.
No trecho mais contundente da entrevista, o parlamentar detalhou os valores que, segundo ele, evidenciam a discrepância e a falta de critérios na distribuição dos recursos públicos. “Tem site recebendo cerca de R$ 50 mil por mês. Outros já receberam R$ 90 mil, R$ 200 mil, R$ 250 mil e até R$ 300 mil. Enquanto isso, há veículos que produzem mais e recebem menos. Não existe coerência. É uma distribuição completamente desigual e suspeita”, afirmou. Ele também citou o caso da MTPres, que, segundo seu levantamento, teria recebido mais de R$ 60 mil em campanhas institucionais.
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