25/04/2026 - 11:37 | Atualizada em 26/04/2026 - 10:29
Cícero Henrique
O silêncio dos políticos de Mato Grosso diante do ataque misógino vindo do entorno de Donald Trump não é apenas constrangedor é revelador. Quando um assessor ligado ao ex-presidente norte-americano chama as mulheres brasileiras de “putas”, o mínimo esperado de qualquer representante público é uma reação firme, indignada e imediata. Mas, em vez disso, o que se viu foi uma omissão ensurdecedora. Nenhuma nota contundente, nenhum gesto público de solidariedade, nenhuma defesa à altura da gravidade do insulto.
Esse comportamento escancara uma realidade incômoda: boa parte da classe política mato-grossense parece mais preocupada em manter alinhamento ideológico com setores extremistas do que em defender a dignidade das próprias cidadãs que representam. O cálculo é frio e vergonhoso — evitar críticas ao universo bolsonarista e aos admiradores de Trump para não perder votos. Nesse jogo político rasteiro, as mulheres são tratadas como moeda descartável, ignoradas quando são atacadas de forma brutal no cenário internacional.
A omissão não é neutra ela é cumplicidade. Ao se calarem, esses políticos legitimam o desrespeito, reforçam a cultura do machismo e demonstram que seus discursos sobre família, moral e valores não passam de retórica vazia. Fica a pergunta que ecoa: até quando a dignidade das mulheres será sacrificada no altar da conveniência política? Em Mato Grosso, pelo visto, a resposta ainda está distante e isso diz muito sobre quem está no poder e quais interesses realmente defendem.
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