24/04/2026 - 15:59 | Atualizada em 26/04/2026 - 12:11
Cícero Henrique
O discurso de austeridade de Otaviano Pivetta desmorona diante de números oficiais que expõem uma contradição difícil de explicar. Enquanto o governo tenta vender a imagem de controle de gastos ao restringir recursos para shows, na prática libera cifras milionárias para eventos com forte conotação política — e sem transparência proporcional ao valor envolvido.
O caso da Norte Show 2026 escancara esse cenário. O montante destinado saltou de R$ 300 mil em 2025 para mais de R$ 3,1 milhões em 2026 — um aumento superior a 900%. A contratação (processo SEDEC-PRO-2026/00634) foi feita por inexigibilidade de chamamento público, ou seja, sem licitação. Mesmo diante da cifra milionária, o governo não publicou o Termo de Fomento nº 0187-2026 no portal oficial da Sedec, levantando questionamentos sobre transparência. Para agravar, dados do FUNDES mostram que o valor de R$ 3,1 milhões foi pago integralmente, embora documentos indiquem previsão de até R$ 3,5 milhões.
A liberação relâmpago dos recursos assinada pelas secretárias Mayran Beckman Benício e Linacis Roberta Pinho da Silva poucos dias antes do evento reforça a suspeita de prioridade política. A feira, realizada em Sinop, serviu de palco para articulações com a presença do senador Flávio Bolsonaro, evidenciando o uso estratégico de dinheiro público em um ambiente que ultrapassa o interesse econômico e entra no campo eleitoral.
No fim, o contraste é brutal: decreto para conter gastos de um lado, e do outro, um aumento explosivo, sem licitação e com falhas de transparência. A pergunta que fica é inevitável trata-se de gestão responsável ou de uso seletivo da máquina pública para fins políticos?
A pergunta que ecoa entre os mato-grossenses: o decreto vale para todos ou só para inglês ver?
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