Frete de grãos sobe em Mato Grosso mesmo com demanda equilibrada e pressiona custos do produtor
O frete é um dos principais componentes do custo de produção agropecuária no estado
24/04/2026 - 08:53 | Atualizada em 27/04/2026 - 08:07
Redação
Foto: Wenderson Araújo / CNA
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária apontou, em boletim recente, alta nos fretes rodoviários de grãos na maioria das rotas de Mato Grosso. O movimento ocorre mesmo com oferta equilibrada de cargas, indicando que a principal pressão sobre os preços vem da menor disponibilidade de caminhões no estado.
Segundo o levantamento semanal, parte da frota migrou para outras regiões do país em busca de fretes mais atrativos. A saída desses veículos reduziu a oferta local e fortaleceu o poder de negociação das transportadoras que permaneceram, contribuindo para a elevação dos valores.
Entre as rotas monitoradas, os maiores avanços foram registrados no trecho entre Diamantino e Rondonópolis, com média de R$ 155,00 por tonelada (+3,20%), e entre Querência e Uberlândia, que atingiu R$ 333,70 por tonelada (+3,28%). Os dados reforçam a tendência de valorização do frete em um período estratégico para o escoamento da safra.
De acordo com o coordenador de inteligência de mercado agropecuário do Imea, Rodrigo Silva, o comportamento dos preços contraria a expectativa sazonal. “Cabe destacar que, para o período atual, seria esperado um movimento de desvalorização nos preços de frete, à medida que a demanda por transporte tende a se equilibrar com a finalização da colheita da soja da safra 2025/26. Ainda assim, as cotações permaneceram em patamares superiores aos observados no mesmo período do ano anterior, sustentadas, sobretudo, pelas variações nos preços do diesel, que mantiveram os custos de transporte elevados na comparação anual”, afirmou.
O frete é um dos principais componentes do custo de produção agropecuária no estado, que depende majoritariamente do transporte rodoviário para levar grãos aos centros consumidores e portos. A alta impacta diretamente a rentabilidade do produtor, reduzindo margens em um momento crucial da comercialização.
Além do efeito sobre os custos, o cenário pressiona a competitividade do agro mato-grossense frente a regiões com melhor infraestrutura logística ou mais próximas dos portos. “A eficiência no escoamento da produção é decisiva para manter a sustentabilidade econômica das propriedades rurais e garantir a competitividade do estado como um dos principais produtores de grãos do país”, acrescentou Rodrigo Silva.
Os dados integram o projeto de Custo de Produção Agropecuário (CPA), desenvolvido pelo Imea em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso, que monitora indicadores-chave da atividade rural e subsidia a tomada de decisão no campo.