21/04/2026 - 11:47 | Atualizada em 22/04/2026 - 12:25
Cícero Henrique
A tensão política em Cuiabá ganhou contornos de confronto aberto entre o deputado estadual Júlio Campos e o prefeito Abilio Brunini — e o que começou como crítica pontual já se transformou em uma disputa pública de narrativa, poder e responsabilidade.
De um lado, Júlio Campos subiu o tom e disparou sem rodeios: o prefeito precisa “trabalhar mais e fazer menos política”. A crítica vai além do discurso. O deputado acusa Abilio de priorizar articulações, embates e exposição pública enquanto problemas concretos da capital seguem sem solução. Na lista, aparecem velhos fantasmas que continuam assombrando Cuiabá: ruas deterioradas, mato alto e, principalmente, uma saúde pública pressionada e sem respostas rápidas. Para Júlio, o prefeito ainda não “vestiu o cargo” e insiste em agir como se estivesse em campanha permanente.
Do outro lado, Abilio Brunini reagiu no mesmo nível ou até acima. Rejeitou as críticas, classificou o ataque como típico da “velha política” e insinuou que há interesses por trás das declarações do deputado. O prefeito sustenta que herdou uma cidade desorganizada e que está promovendo ajustes estruturais, o que naturalmente gera desgaste. Na prática, tenta inverter o jogo: transforma a cobrança em prova de que está mexendo em estruturas que incomodam grupos tradicionais.
O embate escancara mais do que divergências administrativas. Trata-se de uma disputa clara de narrativa: enquanto Júlio tenta colar em Abilio a imagem de gestor ausente e midiático, o prefeito responde tentando associar o deputado ao atraso político que diz combater. É uma guerra de rótulos e nenhum dos lados demonstra disposição para recuar.
No pano de fundo, a população assiste a um roteiro conhecido: críticas duras, respostas igualmente agressivas e uma cidade que segue cobrando soluções concretas. A diferença agora é o timing. O confronto surge cedo demais para ser apenas técnico e direto demais para ser ignorado como ruído político.
No fim, a pergunta que fica não é quem tem razão no discurso, mas quem conseguirá provar, na prática, que Cuiabá não virou apenas palco de disputa enquanto os problemas reais seguem esperando por prioridade.
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