16/04/2026 - 18:35 | Atualizada em 16/04/2026 - 18:46
Cícero Henrique
O avanço de uma proposta que ameaça desmontar um dos pilares do atendimento de urgência no estado acende um alerta grave em Mato Grosso. A possível extinção ou enfraquecimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo governador Otaviano Pivetta revela não apenas uma decisão administrativa controversa, mas também uma preocupante falta de compreensão sobre o funcionamento do sistema de saúde pública.
Presente em todo o país e responsável por salvar milhares de vidas diariamente, o SAMU não é um serviço substituível. Ele atua 24 horas por dia em ocorrências clínicas que exigem resposta rápida e especializada — infartos, convulsões, desmaios, crises psiquiátricas e intoxicações são apenas alguns exemplos. Trata-se de um atendimento médico pré-hospitalar que muitas vezes define quem vive e quem morre.
Ao confundir ou tentar equiparar o papel do SAMU com o do Corpo de Bombeiros, Pivetta demonstra um entendimento superficial — ou perigosamente equivocado — sobre duas estruturas que são complementares, não concorrentes. Enquanto os bombeiros atuam em resgates, salvamentos e traumas físicos, o SAMU entra com suporte médico qualificado, incluindo regulação por médicos e atendimento clínico no local.
A tentativa de desmontar ou reduzir o SAMU não é apenas uma decisão técnica: é uma escolha política com impacto direto na vida da população. Em um estado com grandes distâncias territoriais e desafios logísticos como Mato Grosso, enfraquecer esse serviço significa aumentar o tempo de resposta, sobrecarregar hospitais e, inevitavelmente, colocar vidas em risco.
A população não pode pagar o preço de decisões mal fundamentadas. O que está em jogo não é apenas a gestão de um serviço, mas o compromisso do governo com a saúde pública e com a preservação da vida.
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