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Abilio Brunini vê promessas ruírem e gestão afunda em crise e cobranças em Cuiabá

PROMESSAS VIRAM FRUSTRAÇÃO

14/04/2026 - 16:55 | Atualizada em 15/04/2026 - 09:46

Cícero Henrique

Abilio Brunini vê promessas ruírem e gestão afunda em crise e cobranças em Cuiabá

Foto: Secom Cuiabá

A gestão do prefeito Abilio Brunini começa a ser cobrada com mais intensidade à medida que o discurso de campanha agressivo, moralizador e recheado de promessas estruturais colide com a realidade concreta da administração pública. Eleito sob a bandeira da ruptura, Brunini prometeu transformar áreas críticas como saúde, segurança e infraestrutura. No entanto, o que se vê, até agora, é uma sequência de anúncios, revisões administrativas e medidas fiscais que ainda não se converteram em entregas proporcionais ao tamanho das expectativas criadas.

Na saúde, carro-chefe da campanha, propostas como a “Vila da Saúde” e o programa “Fila Zero” seguem mais presentes no campo das intenções do que na rotina da população. A promessa de centralizar atendimentos e zerar filas do SUS esbarra na lentidão estrutural do sistema e na ausência de resultados amplamente perceptíveis. A valorização dos servidores, outro compromisso reiterado, também não se traduziu, até o momento, em mudanças profundas capazes de reverter a histórica precarização do setor. O contraste entre a promessa de choque de gestão e a persistência dos gargalos expõe uma fragilidade: anunciar é fácil, executar é o teste real.

Na segurança pública e no urbanismo, o roteiro se repete. A proposta de uma Guarda Municipal armada, vendida como solução imediata para a sensação de insegurança, ainda carece de materialização robusta. Projetos como a revitalização do Centro Histórico e intervenções no Morro da Luz permanecem no estágio de planejamento ou execução inicial, enquanto problemas urbanos crônicos seguem visíveis. Já a meta de uma “cidade 100% asfaltada” enfrenta o peso da realidade orçamentária e da complexidade técnica — fatores frequentemente subestimados no calor da campanha.

No campo fiscal e administrativo, Brunini tenta sustentar o discurso de eficiência com a revisão de contratos e o anúncio de economia milionária nos primeiros meses. Mas aqui surge outro ponto de tensão: ao mesmo tempo em que prometeu cortar gastos e eliminar a taxa de lixo, a gestão já sinaliza medidas como o IPTU progressivo, que pode aumentar a carga sobre proprietários. A contradição é evidente e politicamente sensível — sobretudo para um governo eleito com forte apelo antipolítica e promessa de alívio ao contribuinte.

O saldo parcial da gestão revela um padrão recorrente na política brasileira: campanhas ancoradas em soluções rápidas para problemas complexos, seguidas por governos que enfrentam limites institucionais, fiscais e operacionais muito mais duros do que o discurso eleitoral sugere. No caso de Abilio Brunini, o desafio não é mais convencer é entregar. E, até aqui, a distância entre promessa e realidade começa a cobrar seu preço político.

 

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