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Exército captura três militares condenados no STF por conspiração golpista

JUSTIÇA ENTRA EM AÇÃO

10/04/2026 - 18:33 | Atualizada em 14/04/2026 - 10:49

Redação

Exército captura três militares condenados no STF por conspiração golpista

Foto: Reprodução

Três militares foram presos nesta sexta-feira após condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação em um dos núcleos da trama que buscava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As detenções foram realizadas pelo Exército e atingem integrantes apontados como responsáveis pela disseminação de desinformação no contexto da tentativa de ruptura institucional.

Foram detidos o major da reserva Ângelo Denicoli, o subtenente Reginaldo Abreu e o tenente-coronel Guilherme Almeida. Denicoli foi encaminhado para uma unidade em Vila Velha, enquanto Abreu e Almeida permanecem custodiados em Brasília.

Condenações e penas

As penas impostas aos militares variam conforme o grau de participação atribuído a cada um no esquema investigado. Ângelo Denicoli foi condenado a 17 anos de prisão. Reginaldo Abreu recebeu pena de 15 anos e seis meses, enquanto Guilherme Almeida foi sentenciado a 13 anos e seis meses.

As condenações fazem parte do julgamento conduzido pela Primeira Turma do Supremo, que analisou a atuação de um grupo classificado pela Procuradoria-Geral da República como responsável pela estratégia de comunicação da organização investigada.

Ao todo, sete pessoas foram condenadas no processo. O relator, ministro Alexandre de Moraes, foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, formando maioria no colegiado. O ministro Luiz Fux apresentou divergência e votou pela absolvição dos réus.

Atuação do núcleo de desinformação

De acordo com a acusação, o grupo desempenhou papel central na produção e circulação de conteúdos considerados enganosos sobre o sistema eleitoral brasileiro e instituições públicas. A atuação teria como objetivo desacreditar o processo democrático e criar ambiente favorável à contestação do resultado das eleições.

A Procuradoria-Geral da República sustenta que os integrantes do núcleo atuaram na construção de “narrativas falsas contra o processo eleitoral, os Poderes constitucionais e as autoridades que os representam”. Além disso, teriam promovido ataques virtuais direcionados a comandantes das Forças Armadas, com a intenção de pressioná-los a aderir ao plano de ruptura institucional.

Defesa nega participação

Durante o julgamento, os três militares presos negaram envolvimento com qualquer tentativa de golpe de Estado. As defesas sustentaram que não houve participação em ações ilegais ou articulação para interferir no resultado das eleições.

Apesar das alegações, a maioria dos ministros entendeu que as provas reunidas no processo eram suficientes para caracterizar a atuação do grupo na disseminação de desinformação com finalidade política.

Desdobramentos do caso

As prisões representam mais um desdobramento das investigações relacionadas aos atos que culminaram na depredação das sedes dos Três Poderes, em janeiro de 2023, e às articulações anteriores que buscavam impedir a transição de governo.

Os processos conduzidos no Supremo têm se concentrado na responsabilização de diferentes núcleos da organização investigada, com foco tanto em executores diretos quanto em grupos responsáveis por apoio logístico, financiamento e mobilização.

A execução das penas marca o avanço das decisões judiciais e reforça a atuação das instituições no julgamento de casos ligados à tentativa de ruptura institucional no país.

 

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