10/04/2026 - 13:55 | Atualizada em 13/04/2026 - 17:49
Cícero Henrique
O vereador Dilemário Alencar vive um dos momentos mais delicados de sua trajetória política, mergulhado em um processo de desgaste e isolamento dentro da Câmara de Cuiabá. Líder do prefeito Abilio Brunini, ele apostou todas as fichas em uma aliança que agora dá sinais claros de ruptura. Após meses de defesa irrestrita do Executivo, Dilemário vê sua credibilidade ser corroída ao ser simplesmente deixado de lado na disputa pela presidência da Mesa Diretora — um movimento que escancara a fragilidade de sua posição no jogo político.
Nos bastidores, o clima é de revolta e sensação de traição. Dilemário teria recuado de projetos pessoais importantes, como uma pré-candidatura a deputado estadual, para atender aos interesses do grupo político do prefeito, inclusive apoiando nomes estratégicos ligados ao núcleo duro da gestão. Em troca, recebeu promessas que, agora, parecem ter sido descartadas sem cerimônia. A recente declaração de Abilio, sugerindo que o próprio líder desistisse da disputa, foi interpretada como um gesto de desprestígio público e provocou reação imediata.
Sem esconder o incômodo, Dilemário partiu para o confronto direto, acusando o prefeito de desrespeito e ingerência indevida no Legislativo. Em tom duro, afirmou que não aceitará imposições e que sua trajetória política não será submetida a decisões unilaterais do Executivo. A fala revela não apenas um rompimento iminente, mas também a tentativa de reconstruir sua imagem diante de colegas que, nos últimos meses, assistiram ao vereador priorizar a defesa do prefeito em detrimento de sua própria autonomia política.
O episódio ganha contornos ainda mais simbólicos ao expor um efeito “bumerangue” no tabuleiro político. O mesmo grupo que anteriormente teria atuado para enfraquecer adversários internos, como Jefferson Siqueira, agora enfrenta suas próprias contradições. Enquanto isso, nomes como Ilde Taques avançam com mais articulação, e cresce a possibilidade de manobras para viabilizar a reeleição de Paula Calil, o que exigiria mudanças no regimento interno. A disputa pela Mesa Diretora, marcada para 25 de agosto, deixa de ser apenas uma eleição interna e se transforma em um campo aberto de guerra política, onde alianças frágeis e promessas quebradas podem redefinir o equilíbrio de poder na capital.
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