09/04/2026 - 10:45 | Atualizada em 09/04/2026 - 11:03
Cícero Henrique
Nos bastidores do Palácio Paiaguás, o que deveria ser um ambiente de gestão técnica e compromisso com o interesse público tem dado lugar a uma prática antiga e corrosiva: a bajulação como moeda de sobrevivência política. Secretários e sub-secretários, em vez de apresentarem resultados concretos, parecem mais preocupados em agradar o governador Otaviano Pivetta a qualquer custo, numa tentativa explícita de garantir permanência nos cargos.
A cena, segundo relatos recorrentes, ultrapassa o campo institucional e avança para atitudes constrangedoras. Há registros de gestores que investem tempo e recursos em gestos simbólicos e até presentes numa tentativa de demonstrar lealdade pessoal, confundindo respeito hierárquico com submissão política. O problema não é apenas moral: esse tipo de comportamento desvia o foco da administração pública e enfraquece a meritocracia dentro do governo.
A situação se torna ainda mais delicada quando envolve agentes públicos com pendências judiciais ou históricos controversos. Para esses, a bajulação parece funcionar como uma estratégia de blindagem, numa tentativa de se manterem próximos ao núcleo de poder e, assim, evitar desgastes ou possíveis exonerações. Trata-se de um cenário que levanta questionamentos sobre critérios de permanência no serviço público e a real prioridade da gestão estadual.
Enquanto isso, a população segue aguardando respostas efetivas para problemas concretos em áreas essenciais. O excesso de bajulação dentro do governo não apenas compromete a eficiência administrativa, como também expõe uma cultura política ultrapassada, onde a lealdade pessoal se sobrepõe à competência. Em um momento que exige seriedade e resultados, o espetáculo de vaidades no alto escalão cobra um preço alto pago, inevitavelmente, pelo cidadão.
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