09/04/2026 - 10:24 | Atualizada em 09/04/2026 - 10:39
Cícero Henrique
A eventual ascensão de Otaviano Pivetta ao comando pleno do Executivo estadual impõe um teste imediato de liderança: a capacidade de romper com vícios administrativos herdados e reconfigurar uma máquina pública que, sob a gestão de Mauro Mendes, acumulou críticas em áreas sensíveis. Mais do que uma troca de nomes, o momento exige um gesto político claro de independência e compromisso com resultados concretos, sob pena de continuidade de práticas que já demonstraram sinais de esgotamento.
Nos bastidores, a permanência de parte significativa do secretariado é vista como um entrave à eficiência administrativa. Há setores inteiros marcados por baixa entrega, desorganização e falhas de gestão que impactam diretamente serviços essenciais à população. A inércia diante desse cenário pode custar caro politicamente, sobretudo em um contexto em que a sociedade demonstra crescente intolerância com a má gestão e a falta de respostas rápidas.
A crítica mais contundente, no entanto, recai sobre a permanência de agentes públicos que carregam pendências judiciais ou histórico de problemas financeiros não resolvidos. A ocupação de cargos estratégicos por figuras que enfrentam questionamentos dessa natureza fragiliza a credibilidade institucional e levanta dúvidas sobre critérios de nomeação. A administração pública exige não apenas competência técnica, mas também conduta ilibada e coerente com os princípios da legalidade e moralidade.
Além disso, a percepção de que alguns integrantes do alto escalão evitam enfrentar a Justiça ou postergam responsabilidades pessoais cria um desgaste desnecessário para o governo. A imagem de gestores que “se escondem” de obrigações legais é incompatível com o rigor exigido de quem administra recursos públicos. Esse tipo de postura contamina a gestão como um todo e compromete a confiança da população nas instituições.
Se pretende consolidar uma marca própria e se distanciar de críticas acumuladas, Pivetta precisa agir com rapidez e firmeza. A reformulação do secretariado não deve ser vista como ruptura política, mas como medida administrativa indispensável para restaurar eficiência, credibilidade e alinhamento ético. Em tempos de cobrança intensa por transparência e resultados, manter estruturas ineficazes é mais do que um erro estratégico — é um risco direto à governabilidade.
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