07/04/2026 - 18:46 | Atualizada em 07/04/2026 - 19:15
Cícero Henrique
Cuiabá convive com mais um retrato alarmante do colapso na saúde pública municipal. A UPA Pascoal Ramos, uma das mais movimentadas da região sul da capital, tornou-se símbolo de abandono administrativo, precariedade estrutural e um ambiente de trabalho descrito por servidores como insustentável. Relatos obtidos sob anonimato expõem um cenário que mistura pressão psicológica, falta de insumos básicos e condições consideradas degradantes até mesmo para o descanso dos profissionais.
Segundo os denunciantes, o problema não se limita à escassez de recursos ele se agrava pela condução da gestão interna. Profissionais de enfermagem apontam diretamente para chefias que, segundo eles, agem com despreparo técnico, postura autoritária e ausência de ética. O resultado seria um ambiente tóxico, marcado por conflitos internos estimulados pela própria liderança. “Nunca houve uma supervisão tão ruim”, afirma um dos relatos, evidenciando um quadro onde a desorganização administrativa amplia ainda mais a crise assistencial.
O déficit crônico de enfermeiros é outro ponto crítico que escancara o risco à população. Com escalas descumpridas e setores funcionando no limite, técnicos de enfermagem relatam que são frequentemente impedidos de realizar procedimentos essenciais por ausência de supervisão legal. Em situações extremas, uma enfermaria inteira com até 16 pacientes pode ficar sob responsabilidade de apenas um profissional. Trata-se de uma equação perigosa, onde a sobrecarga não só compromete o atendimento, mas expõe pacientes e trabalhadores a falhas graves e potencialmente irreversíveis.
A precariedade também salta aos olhos na estrutura física da unidade. Imagens e relatos descrevem camas quebradas sendo usadas para repouso, colchões no chão e banheiros interditados mesmo diante de surtos de virose entre os funcionários. O refeitório, que passou meses sem climatização, evidencia o descaso com condições mínimas de dignidade. Em um ambiente que deveria preservar vidas, os próprios trabalhadores denunciam estar submetidos a uma rotina desumana, onde até necessidades básicas são negligenciadas.
Como se não bastasse, a ausência de segurança transforma a unidade em um espaço vulnerável e sem controle. A livre circulação de pessoas, inclusive pacientes internados deixando o local sem restrições, revela uma falha grave de gestão e coloca em risco tanto a integridade física quanto o funcionamento da UPA. Paralelamente, a possibilidade de retirada do adicional de insalubridade acende um novo alerta entre os profissionais, que já se dizem exaustos, desmotivados e inseguros. Enquanto isso, o silêncio da prefeitura reforça a sensação de abandono e aprofunda a crise em um sistema que deveria ser, antes de tudo, um porto seguro para quem mais precisa.
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