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Pedro Taques fala em 'captura da BR-163' pelo Master e relaciona caso ao PCC

25/03/2026 - 11:50 | Atualizada em 25/03/2026 - 19:10

Cícero Henrique

Pedro Taques fala em 'captura da BR-163' pelo Master e relaciona caso ao PCC

Foto: Reprodução

O ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques (PSB) afirmou que houve aumento expressivo no número de contratos ligados ao Banco Master entre 2022 e 2024. Ele também mencionou a atuação de empresas consignatárias e possíveis impactos sobre servidores públicos. A comissão investiga a atuação de organizações criminosas e suas conexões com atividades econômicas.



Pedro Taques também afirmou à CPI do Crime Organizado que a BR-163 foi ‘capturada’ pelo Banco Master e citou a ligação do Fundo Reag, ligado ao PCC, com a Nova Rota Oeste, que administra a rodovia.



Segundo o ex-governador, o sócio-proprietário da Reag, Luiz Carlos Moreira Lima,  foi eleito em 2023 no Conselho de Administração da concessionária.Ele citou um aporte de R$ 447 milhões em recursos da MT Par que teriam abastecido o fundo.

“Como pode o dono do fundo fazer parte do conselho da administração após receber um aporte de R$ 447 milhões em recursos públicos?”

Consignados

Taques citou 14 instituições que teriam vendido ao Banco Master o direito de receber as devoluções dos empréstimos. O Master revendeu os direitos ao Banco de Brasília (BRB) por valor considerado inflado, disse.

Ao relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o ex-governador apontou que uma única instituição chegou a cobrar quase R$ 150 milhões dos servidores em um período de nove meses.  

Para Alessandro, um dos autores do requerimento de convocação de Taques, a operação do Master envolveu corrupção no poder público. O crédito consignado depende de acordo com o estado para permitir o desconto das parcelas do empréstimo diretamente da remuneração.

— Esse modus operandi alcançou pelo menos 23 unidades da Federação e mais de 160 prefeituras. O comprometimento acima de 50% da renda é inviável, o cidadão não vai conseguir se sustentar.

Outros estados

Taques disse estranhar que alguns estados permitiram, nos últimos anos, o aumento da margem de comprometimento de salários para empréstimos consignados. E citou Bahia, Mato Grosso, Roraima, Alagoas, Minas Gerais, Acre, Espírito Santo e Sergipe.

Os decretos estaduais têm textos e datas de publicação semelhantes, segundo o ex-governador.

Presidente da comissão, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) questionou se a edição dos decretos ocorreu de forma articulada.

— Há possibilidade de que governos de outros estados teriam se organizado para que pudesse esses decretos serem celebrados em suas respectivas unidades da Federação?

Em resposta, Taques afirmou que não tem a informação, mas que a suspeita deveria ser analisada.

— Se tem jabuti no pau ou é enchente ou mão de gente — disse.

Lavagem de dinheiro

Em outra frente da investigação, Taques acusou o Banco Master de transferir R$ 308 milhões provenientes da devolução de impostos cobrados indevidamente para empresas de aliados do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes. A empresa de telecomunicações Oi, que teria o direito de receber o valor originalmente, teria vendido o direito a um terceiro. 

— Esse terceiro entrou em acordo com o estado, que depositou [o valor] em dois fundos constituídos, geridos e administrados pelo Banco Master: Royal Capital e Lotte Word. E [o dinheiro] chega em empresas beneficiárias do filho, da esposa e de aliados do governador de Mato Grosso [Mauro Mendes].

Taques afirmou que os fundos de investimento são atualmente uma “Disneylândia para lavagem de dinheiro”, em que o dinheiro é repassado entre uma cadeia de fundos até chegar ao verdadeiro dono. Para ele, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) falha em fiscalizar esse mecanismo.

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