15/03/2026 - 14:14 | Atualizada em 16/03/2026 - 09:37
Cícero Henrique
O União Brasil de Mato Grosso chega para o pleito com uma bancada de peso, mas com um problema matemático evidente: a conta não fecha para todos. Com quatro nomes de proeminência histórica, Júlio Campos, Eduardo Botelho, Sebastião Rezende e Dilmar Dal Bosco, a disputa interna transformou a legenda em um "grupo da morte", onde a sobrevivência política depende de detalhes milimétricos.
Eduardo Botelho: tem uma capilaridade invejável em Cuiabá e Várzea Grande. É, hoje, o nome mais blindado do grupo, mas o desgaste natural de quem está no topo pode ser um fator de risco se a renovação bater à porta com força total.
Júlio Campos: Uma das maiores legendas vivas da política mato-grossense. Júlio carrega o sobrenome que é sinônimo de poder no estado. Sua força reside em VG e no interior e na memória do eleitorado mais tradicional. Contudo, em uma eleição de renovação tecnológica e discurso ágil, o desafio é manter o fôlego diante dos novos entrantes.
Sebastião Rezende: O representante fiel da base evangélica de Cuiabá e Rondonópolis. Rezende possui um voto consolidado e "silencioso", que raramente falha. Sua dificuldade, porém, reside na expansão: em um partido tão competitivo, o voto de nicho pode não ser suficiente para garantir a vaga se o coeficiente da sigla subir demais.
Dilmar Dal Bosco: Foi líder do governo durante 7 anos, é força política no Nortão. Dal Bosco é o articulador nato, mas paga o preço de ser a face visível das pautas polêmicas do Executivo na ALMT. Em um cenário de polarização, sua proximidade extrema com o Palácio Paiaguás pode ser tanto seu trunfo quanto seu calcanhar de Aquiles.
Quem pode ficar de fora?
A grande incógnita reside no coeficiente eleitoral. Se o partido não atingir a votação necessária para eleger quatro ou cinco parlamentares diretos, o corte será cruel.
Atualmente, Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende aparecem em uma zona de maior pressão. Enquanto Botelho e Júlio operam com estruturas que transcendem as bases regionais, Dal Bosco e Rezende disputam votos em redutos onde a oposição e novos nomes do agronegócio têm avançado agressivamente.
Nesta "briga de foice no escuro", não haverá espaço para erros de estratégia. Um deslize na articulação das bases ou uma baixa votação em municípios-chave pode empurrar um desses caciques para a suplência, redesenhando o mapa de poder no estado.
Na sua opinião, qual desses nomes é o mais forte para garantir a reeleição?
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