10/03/2026 - 09:55 | Atualizada em 10/03/2026 - 18:52
Cícero Henrique
O Palácio Alencastro vive dias de um teatro político perigoso. Enquanto o prefeito Abilio Brunini tenta vender a imagem de uma gestão "estável", a realidade dos fatos aponta para uma debandada em massa e um esvaziamento institucional sem precedentes. A confirmação da saída de cinco secretários estratégicos — incluindo nomes de peso como Daniele Carmona (Saúde) e Amauri Monge (Educação) — é apenas a ponta do iceberg de uma prefeitura que parece ter desistido de governar para se transformar em um comitê de campanha antecipado para 2026.
O "Japonês" e o escanteio da controladoria
No entanto, o movimento que mais expõe as entranhas da crise é a recente nomeação de Newton Ishii, o "Japonês da Federal", como secretário-adjunto de Governo com superpoderes de compliance. Publicada no início de março, a chegada de Ishii soa como uma "intervenção branca" na Controladoria-Geral do Município (CGM).
Ao importar uma figura midiática da Lava Jato para "orientar e capacitar" o primeiro escalão, Abilio Brunini assina, na prática, um atestado de incompetência contra a secretária Ana Karla Costa. Se a Controladoria estivesse cumprindo seu papel de fiscalizar contratos e prevenir o "ralo" de dinheiro público, Cuiabá não precisaria de um tutor externo com grife policial. Ana Karla, hoje, ocupa uma cadeira que parece meramente decorativa, enquanto as decisões reais de auditoria e controle migram para o núcleo político sob a sombra de Ishii.
A "Caixa Preta" e o Medo do Controle
Essa intervenção ocorre justamente quando pipocam denúncias sobre contratos nebulosos na Secretaria de Comunicação (Secom) e na Saúde. A suspeita é que a estrutura interna de controle nunca teve "dentes" — ou independência — para morder os aliados do rei. Agora, com a cidade mergulhada em problemas de infraestrutura após os temporais e o caos nas UPAs, o prefeito tenta o último recurso do marketing: usar um rosto conhecido para tentar convencer o eleitor de que a casa está sendo limpa.
O que se vê no Alencastro não é um reforço técnico, mas uma manobra de sobrevivência. Enquanto os secretários saltam do barco visando o pleito de 2026, e a Controladoria assiste passivamente ao seu próprio esvaziamento, Cuiabá segue à deriva. O cidadão, que paga a conta dessa "intervenção", fica com a pergunta amarga: quem fiscaliza os fiscalizadores que precisam de ajuda externa para trabalhar?
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