10/03/2026 - 09:19 | Atualizada em 10/03/2026 - 18:54
Cícero Henrique
O Palácio Alencastro amanheceu em polvorosa nesta terça-feira, mas não se engane: a movimentação intensa nos corredores não é para resolver o caos na saúde ou os gargalos da infraestrutura. O que se vê é a montagem de um intrincado quebra-cabeça eleitoral. Com a confirmação da saída de cinco secretários estratégicos, o prefeito Abilio Brunini carimba o que muitos já suspeitavam: a gestão municipal virou um comitê de campanha antecipado para 2026.
A Dança das Cadeiras e o Vácuo de Gestão
As saídas de Daniele Carmona (Saúde), Amauri Monge (Educação) e Murilo Bianchini (Planejamento) deixam lacunas em áreas que agonizam sob a administração atual. O discurso oficial fala em "oxigenação" e "desincompatibilização técnica". Na linguagem das ruas, chama-se abandono de barco.
Murilo Bianchini, por exemplo, não esconde o destino: vai coordenar a campanha do deputado Coronel Assis. A pergunta que o contribuinte cuiabano deve fazer é: até quando a máquina pública será usada como trampolim para projetos pessoais e partidários? Enquanto secretários arrumam as malas para os palanques, as filas nas UPAs e o déficit na educação básica continuam sendo problemas "para depois".
O "Modo Crise" como Estilo de Governo
Abilio Brunini parece governar sob o signo da instabilidade. Com mais de 15 trocas no primeiro escalão em pouco mais de um ano, a prefeitura assemelha-se mais a um reality show de eliminações do que a um governo sério.
A instabilidade não é sinal de rigor, mas de falta de planejamento. Escolher mal o staff e precisar "limpar a casa" a cada semestre trava o serviço público. Projetos de longo prazo são interrompidos, convênios ficam parados e a burocracia se retroalimenta. Cuiabá não precisa de um prefeito que "caça" erros de seus próprios escolhidos no TikTok; precisa de um gestor que saiba liderar uma equipe coesa.
O Custo da Incompetência Política
A reforma atual também tenta abafar ruídos éticos que mancham o Alencastro. A saída traumática de William Leite (Trabalho) sob graves denúncias de assédio e a relação bélica com a diretoria da Educação mostram que o clima interno é de guerra de egos.
Trocar o comando da Saúde em meio a alertas de surtos de Dengue e uma crise financeira sem precedentes na pasta beira a irresponsabilidade. Cuiabá está sendo gerida por impulsos e conveniências.
O Veredito
O que assistimos hoje não é uma reforma administrativa para melhorar a cidade. É uma manobra de sobrevivência política. Abilio sacrifica a continuidade dos serviços públicos para garantir que seus aliados estejam bem posicionados nas trincheiras de 2026.
Para o cidadão que paga o IPTU e espera o ônibus no sol, a mensagem é amarga: o foco do Alencastro não é você, é a próxima urna.
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