06/03/2026 - 23:25 | Atualizada em 08/03/2026 - 10:24
Cícero Henrique
A decisão do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, de permanecer neutro em uma possível disputa política entre o vice-governador Otaviano Pivetta e o senador Wellington Fagundes abriu uma nova frente de tensão dentro da política de Mato Grosso.
A declaração, feita recentemente em meio às articulações para as eleições de 2026, caiu como uma bomba entre aliados políticos que esperavam do prefeito um posicionamento claro em favor de um dos dois nomes. Nos bastidores, lideranças políticas passaram a classificar a postura como um gesto de “traição” e de cálculo político.
Durante a campanha e nas articulações políticas recentes, tanto o grupo ligado ao senador Wellington Fagundes quanto setores próximos ao vice-governador Otaviano Pivetta contavam com o apoio político de Abílio Brunini.
A expectativa era de que o prefeito utilizasse seu capital político em Cuiabá para fortalecer uma das candidaturas que começam a se desenhar no cenário estadual.
Ao anunciar que pretende permanecer neutro, Brunini rompeu com essa expectativa e passou a adotar um discurso de distanciamento da disputa.
“Meu foco é administrar Cuiabá. Não vou entrar nessa disputa agora”, afirmou o prefeito ao comentar o cenário político.
Analistas políticos avaliam que a neutralidade pode ter duas leituras distintas.
A primeira é estratégica: Brunini poderia estar tentando preservar relações com diferentes grupos políticos para ampliar sua margem de negociação no futuro.
A segunda leitura é de isolamento político. Ao não se posicionar, o prefeito corre o risco de perder espaço em alianças importantes que estão sendo construídas desde já para a eleição estadual.
Nos bastidores da política mato-grossense, há quem avalie que a neutralidade pode custar caro.
“Na política, neutralidade muitas vezes significa perder os dois lados”, afirmou um interlocutor ligado ao grupo político estadual.
Com a aproximação das articulações eleitorais, a pressão sobre o prefeito tende a crescer.
Tanto aliados de Wellington Fagundes quanto apoiadores de Otaviano Pivetta já começaram a cobrar um posicionamento mais claro de Brunini.
A avaliação é de que o prefeito de Cuiabá, por comandar a capital do estado, possui peso político relevante nas disputas estaduais — especialmente na formação de palanques eleitorais.
A postura de Abílio Brunini também reforça o papel estratégico de Cuiabá dentro da disputa pelo poder em Mato Grosso.
Quem conquistar o apoio político da capital tende a ganhar força na corrida eleitoral estadual, motivo pelo qual a neutralidade do prefeito acabou se tornando um dos assuntos mais comentados nos bastidores políticos do estado.
Nos próximos meses, a expectativa é de que novas pressões e negociações ocorram para tentar atrair Brunini para um dos lados da disputa.
Até lá, a decisão de permanecer neutro continua sendo vista por parte da classe política como um movimento arriscado — e, para alguns aliados, como uma traição inesperada.
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