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2º Fórum de Prefeitos pela Educação em MT reúne 137 gestores, mas enfrenta críticas por queda de professores e pressão por metas

DISCURSOS QUE NÃO ECOAM

04/03/2026 - 19:16 | Atualizada em 05/03/2026 - 09:19

Cícero Henrique

2º Fórum de Prefeitos pela Educação em MT reúne 137 gestores, mas enfrenta críticas por queda de professores e pressão por metas

Foto: Reprodução

O 2º Fórum de Prefeitos pela Educação, realizado nos dias 4 e 5 de março no Complexo Leila Malouf, em Cuiabá, reuniu oficialmente 137 gestores municipais, entre prefeitos, secretários municipais de educação e técnicos, com a promessa de fortalecer políticas públicas e o chamado “regime de colaboração” entre o Estado e os municípios de Mato Grosso.

O evento teve tom celebratório: autoridades destacaram a educação como prioridade política e estratégica, e o governo anunciou a entrega futura de 700 ônibus escolares e 300 já entregues.

Mas enquanto gestores posam para fotos e reafirmam discursos sobre colaboração e qualidade da educação, pouco se viu na prática que responda aos problemas reais da educação pública:

Ausência de metas claras e mecanismos de responsabilização: nenhum plano com metas objetivas (ex.: redução de evasão escolar, melhoria de IDEB, ampliação da educação infantil) foi divulgado ou debatido com profundidade.

Foco em infraestrutura em vez de aprendizagem: a entrega de ônibus é importante para transporte, mas não aborda diretamente qualidade pedagógica, formação de professores ou redução das desigualdades educacionais que mais afetam o dia a dia nas salas de aula.

Debates genéricos sobre “colaboração” sem novas políticas concretas: muitos painéis repetiram fórmulas conhecidas e promessas amplas, sem propor mudanças estruturantes nas práticas de gestão municipal.

O que fica fora das estatísticas oficiais

O fórum oficial movimenta números — como os 2.000 participantes estimados e os 137 prefeitos presentes — mas não responde a perguntas essenciais que circulam entre educadores e comunidades:

Por que o interior do Estado ainda registra variação significativa nos indicadores educacionais entre municípios ricos e pobres?

O que está sendo feito para aumentar a alfabetização na idade certa, que ainda é um desafio em diversas redes municipais?

Como as prefeituras estão lidando com a falta de professores, infraestrutura escolar precária e altos índices de abandono escolar?

Essas questões foram pouco exploradas ou sequer mencionadas publicamente nos debates do evento, que ficaram restritos a consensos e elogios mútuos entre gestores e autoridades.

 Políticas públicas ou palco político?

Críticos e educadores têm destacado um padrão preocupante em eventos do tipo: a retórica oficial valoriza o diálogo e a cooperação, mas deixa de lado transparência real, metas e mecanismos de financiamento que garantam melhorias concretas nos indicadores educacionais.

No meio de discursos e anúncios de investimentos, faltou espaço para debater o cotidiano das escolas, a voz de professores e a participação de comunidades escolares, elementos que especialistas consideram fundamentais para qualquer reforma educativa de impacto duradouro.

Indicadores sob análise: avanço real ou maquiagem estatística?

Dados recentes mostram que Mato Grosso avançou no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), sobretudo nos anos iniciais do ensino fundamental. Em 2023, o Estado alcançou média próxima de 6,0 nessa etapa, desempenho considerado positivo no cenário nacional.

Cuiabá também registrou média de 5,8 nos anos iniciais.

Mas especialistas alertam: o IDEB combina desempenho em provas padronizadas com taxa de aprovação. Ou seja, aprovação elevada pode inflar resultados sem garantir aprendizagem real.

O próprio Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso já criticou publicamente distorções provocadas por políticas de progressão automática e pressão por metas numéricas.

A pergunta que não apareceu com força no Fórum foi direta:
os alunos estão, de fato, aprendendo mais — ou apenas avançando de ano?

Enquanto o discurso oficial fala em eficiência, o número de professores na rede estadual caiu cerca de 30% nos últimos cinco anos, segundo dados do Censo Escolar divulgados pela imprensa estadual.

De mais de 57 mil docentes em 2019, o número caiu para pouco mais de 40 mil em 2024.

 

 

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