03/03/2026 - 18:57 | Atualizada em 09/03/2026 - 09:46
Cícero Henrique
A disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026 tende a ser marcada por experiência, estrutura política e capacidade de articulação regional. Quatro nomes aparecem com maior densidade no cenário atual: Jayme Campos, Otaviano Pivetta, Wellington Fagundes e a médica e empresária Natasha, defendida por setores do Partido dos Trabalhadores no estado.
Cada um carrega ativos políticos importantes — e fragilidades igualmente relevantes.
Jayme Campos: tradição e recall contra o peso da “velha política”
Jayme Campos entra em qualquer disputa majoritária com uma vantagem clara: nome conhecido. Ex-governador, ex-prefeito de Várzea Grande e atual senador, construiu uma base sólida na Baixada Cuiabana e mantém forte memória eleitoral junto ao eleitor mais tradicional.
Pontos fortes:
Alto recall eleitoral.
Experiência administrativa e legislativa.
Capacidade de articulação institucional.
Base consolidada na região metropolitana.
Pontos fracos:
Associação à chamada “velha política”.
Desgaste acumulado por décadas de vida pública.
Dificuldade de dialogar com eleitorado mais jovem e digital.
Narrativa pouco disruptiva em tempos de busca por renovação.
Jayme é competitivo, especialmente em cenários de fragmentação do grupo governista. Seu desafio é transformar experiência em argumento de futuro, e não apenas de passado.
Otaviano Pivetta: estrutura governista e perfil técnico sob teste de carisma
Atual vice-governador e aliado direto de Mauro Mendes, Pivetta representa continuidade administrativa e diálogo direto com o agronegócio — setor determinante na economia estadual.
Pontos fortes:
Vinculação à máquina estadual.
Imagem de gestor técnico.
Forte penetração no Norte do estado.
Credibilidade junto ao setor produtivo.
Pontos fracos:
Baixo carisma popular.
Dependência política da figura de Mauro Mendes.
Menor penetração histórica na Baixada Cuiabana.
Risco de ser percebido como “continuidade sem identidade própria”.
Se assumir protagonismo institucional até 2026, pode largar como favorito estrutural. Mas precisará converter gestão em emoção — e números em narrativa.
Wellington Fagundes: capilaridade no interior e desafio de mobilização
Com longa trajetória no Congresso Nacional, Wellington Fagundes construiu presença sólida no interior, especialmente na região Sul, como Rondonópolis. É reconhecido por articulação em Brasília e trânsito entre diferentes governos.
Pontos fortes:
Experiência legislativa extensa.
Capilaridade regional.
Discurso pragmático e moderado.
Relação institucional com prefeitos.
Pontos fracos:
Histórico de derrotas em disputas majoritárias.
Discurso pouco mobilizador.
Baixa identificação com eleitor urbano jovem.
Dificuldade em gerar entusiasmo eleitoral.
Wellington cresce em cenários pulverizados, mas precisa romper a percepção de candidatura morna para se tornar competitivo em segundo turno.
Natasha (PT): renovação e nicho urbano contra barreira ideológica
Sem mandato eletivo, Natasha representa o discurso de renovação e tem potencial de mobilização no eleitorado urbano progressista, especialmente se houver nacionalização do debate.
Pontos fortes:
Baixa rejeição inicial.
Imagem de renovação.
Apelo junto a mulheres e profissionais da saúde.
Potencial de engajamento digital.
Pontos fracos:
Baixo nível de conhecimento estadual.
Dependência estrutural do PT.
Alta resistência do eleitorado conservador no interior.
Inexperiência em campanha majoritária.
Em um estado de perfil majoritariamente conservador, sua candidatura depende fortemente do ambiente nacional e da capacidade de ampliar diálogo além do nicho ideológico.
Conclusão: estrutura versus narrativa
O cenário atual sugere uma disputa entre estrutura e memória eleitoral.
Pivetta tem a máquina e o setor produtivo.
Jayme tem tradição e base metropolitana.
Wellington tem interior e articulação institucional.
Natasha tem renovação e nicho urbano.
A eleição de 2026 em Mato Grosso não será decidida apenas por estrutura partidária, mas pela capacidade de cada candidato transformar seus pontos fortes em narrativa mobilizadora — e neutralizar suas fragilidades antes que se tornem eixo central da campanha adversária.
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