Se a eleição fosse hoje, o jogo já estaria desenhado: Wellington Fagundes larga na frente e observa, confortável, os adversários brigando pelo retrovisor.
Mas quem olha só para o primeiro colocado erra o diagnóstico. A verdadeira guerra começa no segundo lugar.
O senador Jayme Campos sabe que não adianta discursar contra Wellington enquanto Otaviano Pivetta ocupa o mesmo campo ideológico, disputa o mesmo eleitor conservador e ainda carrega a máquina estadual no entorno.
Política não é poesia. É matemática.
Se Pivetta continuar no páreo com densidade eleitoral, Jayme corre o risco de virar figurante numa disputa que exige protagonismo. E protagonismo se conquista eliminando concorrente direto — não pedindo licença.
A lógica é simples e brutal:
Quem quer polarizar, precisa primeiro sobreviver. Quem quer enfrentar o líder, precisa antes se consolidar como alternativa única.
Quem não cresce, encolhe.
Não existe espaço para lua de mel entre Jayme e Pivetta. Existe disputa por espaço, por narrativa e por sobrevivência política. E, nesse tipo de cenário, o marketing não trabalha com sutileza — trabalha com contraste, desgaste e desidratação.
A tendência é clara: Jayme não deve mirar em Wellington agora.
Vai mirar em Pivetta.
Vai questionar viabilidade.
Vai bater na associação com a gestão.
Vai tentar impor o discurso do “voto útil”.
Porque, se não remover o obstáculo no meio do caminho, jamais chegará ao confronto principal.
Em eleição majoritária, quem hesita vira coadjuvante.
E ninguém entra numa pré-campanha para ser figurante.





