O pastor Elias Cardoso , da Assembleia de Deus de Perus, afirmou que integrantes da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula no Carnaval do Rio, “terão câncer na garganta”. A declaração feita durante culto nesta segunda-feira e divulgada nas redes sociais.
Durante a apresentação, realizada no domingo na Marquês de Sapucaí, a escola levou à avenida uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, com fantasias que retratavam famílias religiosas dentro de latas. O segmento incomodou parte do público evangélico e gerou críticas online direcionadas à agremiação e ao presidente.
Declaração do pastor repercute nas redes
Em vídeo publicado em seu perfil e nas redes sociais da igreja, o pastor fez a seguinte afirmação, reproduzida integralmente:
“Não vamos responder às provocações que fizeram nas escolas de samba. […] Tripudiaram em cima da nossa fé, não vamos responder. Vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram”, afirmou.
A fala viralizou e foi compartilhada por apoiadores e críticos, alimentando o debate sobre os limites da liberdade religiosa, do discurso político e das manifestações artísticas no carnaval.
Lideranças religiosas e políticas criticam desfile
Após a apresentação, outras lideranças religiosas e representantes da direita também reagiram. Usuários nas redes passaram a publicar imagens geradas por inteligência artificial mostrando famílias religiosas dentro de latas, em tom de ironia. Alguns grupos afirmaram que pretendem acionar a Justiça.
Entre os políticos que se manifestaram, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro declarou que o desfile expôs “a fé cristã ao escárnio” e afirmou que a laicidade do Estado não autoriza “zombaria e humilhação”. Ela também cobrou posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica.
Reações no Congresso e na corrida eleitoral
O presidente da bancada evangélica, deputado Gilberto Nascimento, classificou a fantasia como “inadmissível” e disse que o desfile tratou conservadores como inimigos. O deputado Nikolas Ferreira mencionou o episódio ao falar das próximas eleições, afirmando que evangélicos devem se lembrar do desfile “na hora de votar”.
Já o senador Flávio Bolsonaro afirmou que houve “ataque à fé de milhões de brasileiros”, enquanto o governador mineiro Romeu Zema acusou a escola de preconceito religioso. A senadora Damares Alves disse que “usar verba pública para ridicularizar a igreja evangélica é inadmissível”.
Escola afirma ter sofrido perseguição política
Procurada, a escola não respondeu diretamente às críticas. Após o desfile, porém, divulgou nota afirmando que enfrentou pressões durante a preparação do carnaval.
No comunicado, a agremiação declarou que “durante todo o processo carnavalesco, a nossa agremiação foi perseguida. Sofremos ataques políticos e enfrentamos setores conservadores”.
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