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PSD enfrenta racha interno entre apoio a Lula e plano de candidatura própria

DISPUTA

07/02/2026 - 12:06

Redação

PSD enfrenta racha interno entre apoio a Lula e plano de candidatura própria

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Partido Social Democrático vive uma divisão interna profunda sobre a estratégia para a eleição presidencial de 2026. No comando da legenda, o presidente nacional Gilberto Kassab trabalha para viabilizar uma candidatura própria ao Palácio do Planalto, enquanto diretórios e lideranças regionais defendem manter ou reforçar o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente onde há alianças consolidadas.

A disputa de rumos opõe duas leituras dentro do partido. De um lado, a cúpula nacional sustenta a necessidade de apresentar ao eleitorado uma alternativa de centro ou centro-direita, com identidade própria e alcance nacional.

De outro, dirigentes locais avaliam que a proximidade com o governo federal traz ganhos políticos e eleitorais em determinados estados, o que torna arriscado romper acordos regionais já estabelecidos.

Projeto nacional em construção

Kassab já manifestou publicamente a intenção de estruturar uma chapa própria para 2026. Entre os nomes ventilados como possíveis representantes do PSD estão os governadores Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. Ao tratar da estratégia, o dirigente afirmou que a legenda busca apresentar um projeto para o país, e não apenas disputar poder.

A avaliação da direção nacional é que um nome competitivo, associado a uma plataforma programática clara, pode posicionar o PSD como protagonista em um cenário fragmentado, abrindo espaço para negociações com outras forças do centro político.

Apoio regional a Lula

Apesar do discurso de autonomia nacional, a sinalização de apoio à base governista persiste em alguns estados. O senador Otto Alencar declarou que o partido tende a apoiar a reeleição de Lula, destacando a presença de quadros do PSD integrados ao governo federal.

Esse posicionamento evidencia orientações conflitantes dentro da legenda: uma ala mais pragmática, que prioriza acordos regionais e a governabilidade local, e outra que defende a consolidação de uma candidatura própria ou de uma terceira via no plano nacional.

Impactos nos estados e calendário

A indefinição já afeta as articulações eleitorais em diferentes regiões. Em estados do Nordeste, como o Piauí, lideranças do PSD se mostram inclinadas a manter a parceria com o projeto de reeleição de Lula, refletindo a realidade das alianças locais e o peso do governo federal nesses colégios eleitorais.

A direção nacional, por sua vez, afirma que a decisão final ainda não está tomada e que o caminho eleitoral será definido politicamente. A expectativa é que a convenção partidária ocorra até abril de 2026, quando o posicionamento oficial deverá ser formalizado.

Repercussão e dilema partidário

A movimentação interna do PSD repercute em outras legendas do campo do centro e da centro-direita. O Movimento Democrático Brasileiro tem intensificado conversas sobre a possibilidade de indicar um vice em eventual chapa do PSD, ampliando o debate sobre a viabilidade de um projeto alternativo ao do PT.

Especialistas em ciência política avaliam que o racha no PSD reflete um dilema recorrente em partidos com bases regionais heterogêneas: equilibrar alianças locais bem-sucedidas com a construção de um projeto nacional competitivo.

À medida que o calendário eleitoral avança e o prazo das convenções se aproxima, a tendência é de intensificação das pressões internas, com impactos diretos na definição de alianças e propostas do partido para 2026.

 

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