30/01/2026 - 12:26
Redação
As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master avançaram para um novo patamar ao identificar indícios que apontam para a possível participação de políticos com foro por prerrogativa de função, informa a Folha de S. Paulo. Diante desse cenário, eventuais apurações envolvendo essas autoridades terão de tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Elementos colhidos na primeira fase da operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado, revelam referências a lideranças partidárias e integrantes do alto escalão da política nacional. Os relatos foram feitos à Folha por investigadores envolvidos no caso, que falaram sob condição de anonimato e mencionaram “vários achados” com citações a essas figuras públicas.
A primeira etapa da operação teve como alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Na ocasião, a PF cumpriu mandados de prisão, quebras de sigilo e apreensão de documentos, além de acessar o conteúdo do telefone celular do investigado.
Indícios além do foco inicial da investigação
Segundo os investigadores, as menções a políticos não guardam relação direta com o inquérito que apura a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Master nem com a tentativa de venda da instituição ao BRB (Banco de Brasília). Essas fraudes, por sua vez, fundamentaram a decisão da Justiça Federal em Brasília que autorizou a primeira fase da operação, em 18 de novembro, data em que o banco acabou liquidado.
Vorcaro ganhou projeção em Brasília nos últimos anos por construir uma extensa rede de relações políticas e empresariais, além de promover encontros frequentes em uma mansão na capital federal. Esse histórico de conexões passou a gerar desconforto entre autoridades desde que o banqueiro se tornou alvo da PF, diante do temor de que relações pessoais e financeiras venham a público.
A amplitude dessas conexões levou investigadores a comparar o potencial da apuração a grandes operações do passado, capazes de atingir diferentes partidos e provocar reações para conter o avanço das investigações.
Nova fase e possível desmembramento do caso
A verificação dos indícios envolvendo políticos será aprofundada e incorporada a uma nova frente de investigação. Esse material se soma às informações já obtidas na segunda fase da Compliance Zero, que teve como foco o uso de fundos de investimento administrados pela gestora Reag para o suposto desvio de recursos captados pelo Master por meio da venda de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários).
A segunda etapa, realizada em janeiro, ocorreu por determinação do ministro Dias Toffoli, do STF, que assumiu a relatoria após a defesa de Vorcaro alegar a existência de referência ao deputado João Bacelar (PL-BA), parlamentar com foro especial. De acordo com a PF, porém, essa menção específica não é o alvo central das apurações neste momento. O material apreendido cita outros políticos, inclusive integrantes do Congresso Nacional.
Em depoimento prestado à PF no fim de dezembro, Vorcaro minimizou o alcance de suas relações com autoridades. “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, disse.
Investigadores avaliam que o inquérito pode ser desmembrado. Mesmo que a apuração sobre o negócio entre o BRB e o Master seja remetida à primeira instância, a parte que envolve políticos com foro especial permaneceria sob supervisão do STF.
Pressão sobre o Supremo e ajuste de rota
Nas últimas semanas, ministros do Supremo iniciaram articulações para que parte do caso fosse enviada à Justiça de primeiro grau, numa tentativa de reduzir a pressão sobre a Corte. O movimento ganhou força após revelações sobre conexões de integrantes do tribunal com negócios ligados ao Banco Master.
A estratégia passou a ser descrita, nos bastidores, como uma saída para o ministro Dias Toffoli, cuja condução do caso vem sendo questionada pelo alto grau de sigilo mantido. Também pesou o fato de dois de seus irmãos terem mantido sociedade com um fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro no resort Tayayá, no Paraná.
Diante do desgaste institucional e da pressão da opinião pública, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, chegou a afirmar ao G1 que havia “uma tendência, pelo que se verifica até agora” de que o caso deixasse o tribunal.
A descoberta de menções a políticos, no entanto, deve levar a um ajuste de rota. A tendência agora é que a investigação seja parcialmente remetida à instância inferior, enquanto uma nova frente permaneça no STF para apurar a eventual participação de autoridades com foro especial.
A apuração que pode seguir para o primeiro grau, relacionada à fabricação de carteiras de crédito pelo Master, é considerada avançada e próxima da conclusão. A PF deve elaborar um relatório final apontando os indícios de crimes atribuídos aos principais suspeitos.
Pessoas envolvidas no caso, ouvidas pela Folha, manifestam preocupação com o risco de que as investigações contra políticos não avancem no STF em razão de pressões sobre a Corte, o que pode comprometer o desfecho dessa nova etapa do inquérito.
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