O ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Chico 2000, é o responsável direto ou indireto pela maior fatia dos repasses realizados para o Instituto Brasil Central (Ibrace).
Os recursos foram utilizados, majoritariamente, para a realização de eventos esportivos, como a Corrida do Senhor Bom Jesus de Cuiabá e a Corrida do Legislativo Cuiabano. A execução dessas ações ficou sob a responsabilidade da empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda., conhecida como Chiroli Esportes.
Em operação policial anterior (Operação Perfídia), a análise das conversas encontradas no celular de Chico 2000 revelou conversas diretas com o empresário João Nery Chiroli em que tratam da organização dos eventos financiados pelas emendas, e referências à participação do empresário em reuniões oficiais relacionadas aos projetos.
Os dados consolidados indicam que o vereador Chico 2000 destinou R$ 3,55 milhões em emendas próprias ao instituto. Ele também participou de uma emenda compartilhada com o vereador Dídimo Vovô, no valor de R$ 200 mil. Somados, os valores atribuídos ao parlamentar alcançam R$ 3,65 milhões.
Outras emendas
A decisão que fundamentou a Operação Gorjeta aponta ainda outros vereadores que destinaram emendas ao Ibrace.
- Luiz Fernando (Republicanos) indicou R$ 350 mil;
- Kássio Coelho (Podemos), R$ 400 mil;
- Wilson Kero Kero (PMB) destinou R$ 307 mil de forma individual
- e mais R$ 317.213,00, em conjunto com Lilo Pinheiro (PP).
Há ainda R$ 365.574,00, cuja autoria não foi especificada nos registros analisados.
Os repasses totalizam R$ 5.489.787 transferidos ao instituto no período investigado. De acordo com o Judiciário, 66% dos recursos recebidos pelo Ibrace vieram de emendas relacionadas a Chico 2000.
OPERAÇÃO GORJETA
A Operação Gorjeta foi deflagrada na última terça-feira (27), quando foram cumpridas 75 ordens judiciais com foco na desarticulação de um esquema criminoso que teve como vítima o município de Cuiabá, especialmente a Câmara de Vereadores e a Secretaria Municipal de Esportes.
O vereador Chico 2000 foi afastado das funções. Foi determinado ainda o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 (seiscentos e setenta e seis mil e quarenta e dois reais e trinta e dois centavos) das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis. O IBRACE teve as atividades suspensas e todos os Termos de Parceria firmados com o Município serão auditados pela Controladoria-Geral de Cuiabá.
A Deccor chegou a pedir a prisão dos investigados, mas a Justiça concedeu apenas o afastamento do vereador e dos assessores Joaci Conceição Silva e Rubens Vuolo Júnior. “Entendendo serem suficientes, neste momento processual, para a garantia da ordem pública e da instrução criminal, as medidas cautelares diversas da prisão. A prisão preventiva revela-se medida excepcional, devendo ser aplicada somente quando demonstrada sua imprescindibilidade, o que não se verifica no presente momento”, disse o juiz Cássio Leite de Barros Netto.
Joaci e Rubens ainda estão proibidos de:
- Frequentar a Câmara de Cuiabá e a Secretaria de Esportes;
- Manter contato com outros investigados e testemunhas;
- Sair da cidade sem autorização judicial