Os servidores públicos dp Estado de Mato Grosso aprovaram indicativo de greve, caso o governador Mauro Mendes não conceda a a Revisão Geral Anual (RGA), referente a 2025.
Em coletiva de imprensa convocada pela Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT) nesta terça-feira, dirigentes sindicais reafirmaram o descontentamento com a forma como o governador trata a categoria, que acumula perdas.
A Federação relatou o
descumprimento de um compromisso assumido pelo governo de abrir negociação sobre a recomposição do passivo da RGA, que soma 19,52%. Mesmo após reuniões, ofícios e tentativas de contato, o diálogo prometido nunca aconteceu. A FESSP-MT reforçou que o movimento sindical sempre esteve aberto à negociação e que a ausência de diálogo não partiu das entidades representativas.
Para a FESSP-MT, "o recado está dado: quem não está ao lado do servidor público deste Estado não pode nos representar."
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Henrique Lopes, a ausência de recomposição salarial dos servidores de Mato Grosso se deve à
falta de vontade política do governo Mauro Mendes, e não orçamentária, para quitar o débito salarial de 19,52% com os servidores do Estado.
Conforme Henrique, o orçamento do Estado registra
arrecadação de cerca de R$ 44 bilhões (2025), valor substancial para cumprir com o repasse dos débitos da RGA aos servidores. “Ao não negociar, o governo cria uma bola de neve que, em 2026, soma ainda os 4,26% de correção, resultado de anos em que não houve o pagamento integral da inflação e outros em que ela foi zerada pelo Estado. Esperamos que o governador Mauro Mendes não empurre as dívidas para o próximo governo”, afirmou.
A integrante da base do Sintema-MT e ex-deputada estadual, Sheila Klener, reforçou a fala do presidente do Sintep-MT ao destacar que o superávit de Mato Grosso superou, inclusive, o crescimento chinês, o que comprova o resultado do trabalho dos servidores públicos do Estado, que atuam nas diferentes áreas do governo e, ainda assim, estão colocados como inimigos. “São oito anos de perdas, de 100 mil trabalhadores que precisam ser valorizados”, disse.
Paralelamente, o governador Mauro Mendes (UB), por meio da Secretaria de Estado de Comunicação, reafirmou que o Estado permanece irredutível e não ultrapassará os 4,26% já anunciados. O Governo informou que a RGA de 4,26% pode gerar impacto de R$ 1.041.041.885,23 aos cofres públicos, em 2026. O projeto será enviado à Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (14), que interrompe o recesso para votar.
Emenda de Lúdio Cabral pode ser a solução
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) afiromou que apresentará, na sessão desta quarta-feira (14), uma emenda ao projeto de lei da Revisão Geral Anual (RGA) para garantir aos servidores estaduais o pagamento de parte das perdas salariais acumuladas nos últimos sete anos. A proposta de Lúdio é que, além dos 4,26% de RGA que o governo de Mato Grosso propõe pagar para repor a inflação do ano passado, os servidores recebam
mais 4,92% referente a parte das perdas acumuladas, que somam 19,52%.

“Na emenda, estamos propondo um artigo novo ao projeto de lei da RGA para assegurar 4,92% adicionais, para começar a pagar a dívida acumulada que o Estado tem com os servidores, além dos 4,26% da inflação de 2025. Neste ano, o Estado deve ter mais de R$ 10 bilhões de excesso de arrecadação, portanto terá dinheiro mais que suficiente para pagar R$ 1,6 bilhão que correspondem aos 4,92% que estamos propondo”, disse Lúdio.
Nas redes sociais, há servidores que manifestam ceticismo, argumentando que o governador Mauro Mendes está prestes a deixar o governo e não está preocupado com o funcionalismo público. Diante disso, a alternativa possível seria negociar com Otaviano Pivetta, que assumirá o governo.
Pivetta é o candidato a governador escolhido por Mauro Mendes nas eleições 2026. Mauro deixa o governo, mas pretende continuar com 'um pé na porta' indicando seu aliado Fàbio Garcia como vice-governador.
O fato é que nesta quarta-feira parlamentares se debruçarão sobre o projeto do Executivo e muitos seguem fielmente os desejos de Mauro Mendes. Os 100 mil servidores públicos do Estado podem fazer a diferença nas eleiçõesque se avizinham.