Um auditor federal da Controladoria-Geral da União (CGU) foi flagrado agredindo uma mulher e o filho dela, um menino de 4 anos, no estacionamento de um prédio residencial em Águas Claras, no Distrito Federal. As agressões ocorreram por volta das 19h40 do dia 7 de dezembro e foram registradas em vídeo, que circulou nas redes sociais e chegou às autoridades por meio de denúncia anônima.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o homem, de 49 anos, não é pai da criança, mas era namorado da mãe do menino, uma mulher de 40 anos. De acordo com o relato policial, o casal havia retornado de uma viagem no dia da agressão. Durante o trajeto, o agressor já teria atingido a criança com uma chinelada durante o banho. No estacionamento do prédio onde ele mora, as agressões teriam sido motivadas porque o menino não quis sair do colo da mãe.
A denúncia foi recebida pela Divisão de Controle de Operações Especiais (Dicoe) da PCDF, acompanhada das imagens das agressões. Uma equipe policial foi até o endereço informado e foi recebida pelo porteiro e pelo subsíndico do edifício, que acompanharam os agentes até o apartamento do suspeito. No local, o homem autorizou a entrada da equipe.
Aos policiais, o auditor alegou que havia encerrado o relacionamento com a mulher e que os dois se desentenderam, entrando em vias de fato. Ainda conforme a ocorrência, o próprio agressor ligou para a ex-namorada e repassou o telefone a uma agente da delegacia. Na conversa, a vítima afirmou que havia terminado o namoro e que não desejava registrar ocorrência contra ele.
A polícia orientou a mulher a apresentar o filho na 21ª Delegacia de Polícia para encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML). O subsíndico se comprometeu a preservar as imagens do circuito interno do prédio para a investigação.
O caso é apurado pela Seção de Atendimento à Mulher da 21ª DP e foi registrado como vias de fato, com base na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e na Lei Henry Borel (Lei nº 14.344/2022), que trata da proteção integral de crianças e adolescentes vítimas de violência.
Medidas administrativas
Em nota oficial, o ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius Marques de Carvalho, afirmou ter recebido “com indignação” as imagens das agressões e classificou os fatos como “gravíssimos e inaceitáveis”. Segundo ele, a CGU adotou providências imediatas no âmbito administrativo.
Entre as medidas anunciadas estão o encaminhamento do caso à Corregedoria-Geral da União e à Comissão de Ética da CGU, com a abertura de investigação preliminar para apuração de responsabilidades ética e disciplinar; a revogação imediata da designação do servidor como substituto eventual de chefia, com publicação em edição extraordinária do Diário Oficial da União; e a proibição de ingresso do servidor nos prédios da CGU enquanto durarem as investigações.
“O enfrentamento à violência contra a mulher é uma prioridade do Governo do Brasil e um dever das instituições públicas. Violência contra a mulher e contra crianças é crime e não pode ser tratada como desentendimento ou questão pessoal”, destacou o ministro na nota.
Importância da denúncia
Apesar de a vítima ter informado que não pretendia registrar ocorrência, a Polícia Civil reforça que casos de violência doméstica e contra crianças devem ser denunciados, inclusive por terceiros. As autoridades lembram que esse tipo de crime pode ser comunicado de forma anônima e que a intervenção rápida pode evitar novos episódios e proteger as vítimas.
Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços. Ao utilizar nosso site, você concorda com tal monitoramento. Para mais informações, consulte nossa Política de Privacidade.