08/12/2025 - 19:56 | Atualizada em 11/12/2025 - 18:14
Redação
O crime organizado no Sudeste tem adotado armamentos mais modernos nos últimos cinco anos, segundo levantamento inédito do Instituto Sou da Paz. A pesquisa analisou armas apreendidas entre 2018 e 2023 em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, revelando a rápida substituição de revólveres por pistolas.
O percentual de pistolas apreendidas subiu de 25% para 36% no período, enquanto os revólveres caíram de 42% para 37,6%. A pistola 9 mm, liberada para CACs durante o governo de Jair Bolsonaro, tornou-se a segunda arma mais apreendida no país.
Por que pistolas estão dominando o arsenal
Pistolas oferecem maior capacidade de munição — de 12 a mais de 20 balas — e cadência de tiro mais rápida. Elas também apresentam potência superior: modelos 9 mm chegam a 453,56 joules, contra 342 joules do revólver calibre .38.
“Estamos vendo uma modernização acelerada, com a troca do calibre 38 pelo 9 mm, que dispara com 40% mais energia e aumenta o risco de letalidade”, explica Bruno Langeani, consultor sênior do Sou da Paz.
Fuzis e submetralhadoras também avançam
Além das pistolas, o estudo detectou maior presença de armamentos de grosso calibre. As apreensões de fuzis passaram de 1,6% para 2,9% e as de submetralhadoras de 0,7% para 1,4%.
Mesmo ainda menos frequentes, esses equipamentos preocupam os pesquisadores pela alta capacidade de fogo e pelo uso crescente em facções e milícias.
Armas mais novas chegam ao crime
O levantamento analisou ainda o “time to crime”, intervalo entre a fabricação e a apreensão da arma. Em todos os estados houve redução, indicando que o crime recebe armas cada vez mais recentes.
Um dos fatores é o desvio de armamentos adquiridos por caçadores, atiradores e colecionadores (CACs). “No Espírito Santo, armas com até dois anos de fabricação apreendidas saltaram de 33 para 200 entre 2018 e 2023”, detalha Langeani.
Cidades com maiores taxas de apreensões
A pesquisa listou as cidades com mais armas apreendidas por 100 mil habitantes, indicador que relaciona o volume de apreensões à população local.
Espírito Santo
Linhares lidera o ranking, com taxa de 732,2 armas apreendidas por 100 mil habitantes, seguida por Aracruz (693,3) e São Mateus (636,6).
Minas Gerais
Ribeirão das Neves aparece à frente, com 743,6 armas apreendidas por 100 mil moradores. Sabará e Governador Valadares completam o topo da lista.
Rio de Janeiro
A capital aparece na liderança, com taxa de 280 por 100 mil habitantes. Cabo Frio e Niterói vêm na sequência.
São Paulo
Guaratinguetá registra a maior taxa, 312,2 armas por 100 mil habitantes. Barretos e Pindamonhangaba também têm índices elevados.
Mudança rápida e impulsionada por acesso facilitado
Segundo o estudo, a modernização do arsenal criminal acompanha a facilidade de aquisição de armas no país nos últimos anos. O aumento de equipamentos mais potentes e recentes reforça preocupações sobre crimes violentos, uso de armas desviadas e letalidade nas regiões analisadas.
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