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‘Anistia para Bolsonaro está fora de questão’, diz relator do PL da Dosimetria

CONGRESSO NACIONAL

08/12/2025 - 17:40 | Atualizada em 09/12/2025 - 16:07

Redação

‘Anistia para Bolsonaro está fora de questão’, diz relator do PL da Dosimetria

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O relator do Projeto de Lei da Dosimetria, deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), negou de forma categórica que seu texto inclua qualquer possibilidade de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista ao portal Metrópoles nesta segunda-feira (8/12), o parlamentar afirmou que a proposta não altera o impedimento eleitoral do ex-chefe do Executivo, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a trama golpista para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

“Anistia para Bolsonaro está fora de questão”, declarou. Paulinho reforçou que não pretende alterar o conteúdo apresentado, apesar das pressões do PL, que resiste à votação da matéria. “O PL está pondo dificuldade e não está aceitando [a dosimetria]. Se eles não aceitam, não tem votação. Se eles aceitam o meu projeto, a minha proposta tá resolvida”, disse.

O deputado afirmou, no entanto, que o texto traz benefícios relevantes ao ex-presidente, ainda que insuficientes para colocá-lo de volta ao cenário eleitoral. “Meu texto contempla o Bolsonaro, só não resolve o problema dele. Só para ter uma ideia, a redução dele, no meu texto, cai de 27 anos e 3 meses para 2 anos e 4 meses. Quer benefício maior que esse?”, questionou.

Pressão de Flávio Bolsonaro e preço político

A discussão ganhou novos contornos após a declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que condicionou a retirada de sua pré-candidatura presidencial à aprovação da anistia e à libertação do pai. Em entrevista à Record no domingo (7/12), Flávio afirmou que só abriria mão da disputa caso Jair Bolsonaro estivesse livre para participar ativamente da campanha.

“O meu preço é justiça. E não é só justiça comigo, é justiça com quase 60 milhões de brasileiros que foram sequestrados — estão dentro de um cativeiro, neste momento, junto com o presidente Jair Messias Bolsonaro. Então, óbvio que não tem volta. A minha pré-candidatura à Presidência é muito consciente, disse. Em seguida, reforçou: A única forma disso acontecer é se Bolsonaro estiver livre, nas urnas, caminhando com seus netos, filhos de Eduardo Bolsonaro, pelas ruas de todo o Brasil. Esse é meu preço”, disse o senador.

Avanço na Câmara e resistência no Senado

O projeto de lei que trata do perdão a participantes de manifestações desde 30 de outubro de 2022, incluindo condenados pelos atos antidemocráticos do 8 de janeiro, teve urgência aprovada na Câmara dos Deputados em 17 de setembro. O placar foi de 311 votos favoráveis, 163 contrários e 7 abstenções.

Ainda assim, Paulinho da Força avalia que o PL da Dosimetria enfrentará forte resistência no Senado, onde, segundo ele, o texto não tem sustentação suficiente para prosperar.

A estratégia eleitoral do bolsonarismo para 2026

A movimentação em torno da anistia ocorre no momento em que o ex-presidente Bolsonaro, preso na carceragem da Polícia Federal em Brasília, sinaliza apoio explícito à pré-candidatura do primogênito. A escolha por Flávio foi comunicada a aliados ao longo da última semana e surpreendeu parte da cúpula do PL, que esperava uma definição mais pragmática, como a indicação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Pelo cálculo dos bolsonaristas, Flávio se fortaleceria ao assumir publicamente o papel de postulante ao Palácio do Planalto e ao circular pelo país em agendas políticas, colocando-se como porta-voz da narrativa de injustiça que permeia o discurso do grupo.

No governo Lula, a escolha foi recebida com naturalidade. A avaliação de integrantes do Planalto é que a manutenção da polarização facilita a estratégia de contraste com o bolsonarismo, especialmente em um ano pré-eleitoral.

Pesquisas mostram desvantagem de Flávio contra Lula

Levantamento Datafolha divulgado no sábado (6/12) mostrou que Flávio Bolsonaro perderia para Lula em um eventual segundo turno nas eleições de 2026. De acordo com a pesquisa estimulada, o presidente soma 51% das intenções de voto, enquanto o senador aparece com 36%.

O resultado reforça a percepção de que a candidatura de Flávio enfrenta obstáculos significativos, especialmente enquanto a situação jurídica de Jair Bolsonaro permanece indefinida e o debate sobre anistia segue travado no Congresso.

 

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