A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) confirmou o quarto óbito por ingestão de bebida batizada com metanol no estado. Flávio Roberto da Mata Pereira, de 33 anos, que deu entrada há 19 dias no Hospital São Benedito, em Cuiabá, com quadro de intoxicação por metanol, morreu no último sábado (6), em decorrência do diagnóstico.
Ele morava em Nova Brasilândia, a 223 km de Cuiabá, e passou mal após beber uísque no dia 15 de novembro, no município de Planalto da Serra, a 256 km da capital. Segundo a família, a unidade de saúde local tratou o caso como 'ressaca' e só foi hospitalizado dois dias depois do início dos sintomas.
A SES identificou
15 lotes de whisky da marca Ballantine’s Finest com indícios de falsificação, em que as
garrafas originais teriam sido adulteradas com produto clandestino.
A população deve sempre verificar rótulo, lote e data de fabricação antes de consumir bebidas alcoólicas e denunciar estabelecimentos que comercializem produtos suspeitos por meio do Fale Cidadão.
SINTOMAS
De acordo com Menandes Alves de Souza Neto, responsável técnico pelo Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs-MT), os sintomas da intoxicação por metanol podem ser enganosamente semelhantes aos de uma embriaguez comum nas primeiras horas, dificultando o diagnóstico precoce.
“Contudo, entre 12 e 24 horas após a ingestão, surgem sinais altamente sugestivos da intoxicação:
visão embaçada ou escurecida, fotofobia, pupilas dilatadas, dificuldade para caminhar, respiração acelerada e profunda devido à acidose metabólica, confusão mental, sonolência extrema, convulsões e, nos casos mais graves, coma. A evolução pode ser rápida para
cegueira permanente e danos neurológicos severos, tornando o atendimento imediato determinante para evitar sequelas e salvar vidas”, explicou.
O responsável técnico ainda informou que o Cievs atua em regime de prontidão permanente para detectar e responder rapidamente a eventos de saúde pública.
“No cenário atual, o Centro coordena a investigação dos casos, orienta profissionais sobre condutas clínicas e exames essenciais, aciona o Lacen para a análise laboratorial e articula com o Ciatox Cuiabá [Centro de Informação e Assistência Toxicológica] para suporte toxicológico especializado. Essa atuação integrada fortalece a capacidade de resposta do Estado e reduz o tempo entre a identificação dos casos suspeitos e a adoção das medidas necessárias”, acrescentou.
A Pernod Ricard Brasil, importadora oficial da marca Ballantine’s Finest, apresentou documentação que comprova a autenticidade e regularidade dos produtos originais de parte dos lotes suspeitos. As evidências laboratoriais e periciais indicam que os
casos estão relacionados ao reenvasamento clandestino de garrafas originais, e não a falhas na fabricação ou distribuição pela empresa.