Publicada a edição 2025 da pesquisa “Corrupção e Integridade no Mercado Brasileiro: a percepção dos profissionais de compliance”, conduzida pelo Datafolha e idealizada pela Transparência Internacional – Brasil.
O levantamento, feito com profissionais de compliance das maiores empresas do Brasil, joga luz sobre um problema grave: o avanço do crime organizado está afetando diretamente o ambiente de negócios no país.
Os números são claros. Para 96% dos entrevistados, a presença do crime organizado se tornou um problema crescente nos últimos dois anos, com impactos concretos sobre a integridade das relações corporativas.
Apesar disso, apenas 57% afirmam que os programas de integridade das empresas com as quais se relacionam possuem controles específicos para mitigar esses riscos.
A pesquisa também revela uma percepção preocupante sobre a capacidade do Estado em coibir irregularidades: 76% dos entrevistados acreditam que as ações de fiscalização sobre corrupção e lavagem de dinheiro permaneceram estagnadas ou diminuíram nos últimos dois anos.
E para 78% deles, qualquer oscilação nesse ponto tem efeito direto sobre o nível de investimentos das empresas em compliance.
Outros dados chamam atenção:
• 95% veem práticas associadas ao “Orçamento Secreto” como aumento de risco de corrupção nos municípios;
• 91% afirmam que renegociações dos acordos de leniência prejudicam o ambiente de integridade;
• Apenas 34% acreditam que micro e pequenas empresas adotam padrões adequados de integridade.
Também investigamos como as áreas de compliance estão lidando com a inteligência artificial. Embora 42% já usem ferramentas de IA dentro de regras de governança, ainda há uso não coordenado (13%) e, entre quem vê riscos éticos relevantes (29%), quase todos defendem a atuação direta da área de integridade para mitigá-los.
Esses achados reforçam um ponto central da nossa missão: a corrupção não é apenas um problema público — ela se entrelaça com o crime organizado, distorce a economia e afeta a capacidade de empresas construírem um ambiente competitivo e seguro.
O avanço do crime organizado sobre a economia formal exige instituições fortes, dados confiáveis e vigilância permanente.