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Mato Grosso é um dos estados que mais vão se beneficiar com fim do tarifaço de Donald Trump

DIPLOMACIA

21/11/2025 - 14:05 | Atualizada em 22/11/2025 - 14:41

Redação

Mato Grosso é um dos estados que mais vão se beneficiar com fim do tarifaço de Donald Trump

Foto: Reprodução

Após o encontro entre o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio e o chanceler Mauro Vieira e a última conversa com o presidente Lula (PT), Donald Trump decidiu suspender a tarifa de importação de 40% que afetaria parte das exportações brasileiras. A Casa Branca informou, em comunicado nesta quinta (20), que mais de 200 produtos seriam excluídos do tarifaço. Isso significa que os estados brasileiros mais beneficiados com o fim do tarifaço serão aqueles que sofreram com a taxa nos últimos meses.

É o que mostra um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Fundação Getúlio Vargas (FGV) Ibre. No Ceará e no Espírito Santo, a dependência do mercado dos EUA é a maior entre os entes federativos: os americanos absorvem quase 50% das vendas externas cearenses e aproximadamente 33% das capixabas. 

No Ceará, quase metade das exportações (44,9%) segue para os Estados Unidos. O mercado americano também absorveu 28,6% do que o Espírito Santo vendeu ao exterior, 21,6% da Paraíba, 19% de São Paulo e 17,1% de Sergipe. Quase metade de tudo o que o Ceará vende ao exterior tem como destino os Estados Unidos. Em 2024, as exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 659,1 milhões, o equivalente a 46,5% de toda a pauta estadual. A força dessa relação está concentrada em três frentes: a metalurgia, que sozinha respondeu por US$ 441,3 milhões; o setor de alimentos (US$ 112,2 milhões); e os segmentos de couro e calçados (US$ 52,6 milhões). 

Entre os manufaturados taxados estão máquinas, motores, calçados, café solúvel, pescados e mel. Já na pauta agroexportadora, ficaram isentas todas as categorias de carne bovina, além de café verde, torrado e seus derivados; frutas frescas, congeladas ou processadas, como laranja, abacaxi, banana, manga e açaí; cacau e produtos derivados; especiarias como pimenta, gengibre, canela e cúrcuma; raízes e tubérculos, com destaque para a mandioca em todas as formas; sucos e polpas de frutas. Fertilizantes essenciais à agricultura, como ureia, nitratos, potássicos e fosfatados, também entraram na lista de exceções.

De acordo com a FGV, o tarifaço dos EUA atingiu de forma mais severa estados com pautas de exportação concentradas e alta presença de produtos tarifados, com Ceará e Espírito Santo, supreendemente fora da lista. Entre os mais afetados, com quedas superiores a 60% nas vendas totais para os EUA, estão Mato Grosso (–81%), Tocantins (–74,3%), Alagoas (–71,3%), Piauí (–68,6%), Rio Grande do Norte (–65%) e Pernambuco (–64,8%).

Na faixa entre 40% e 60% de retração aparecem polos industriais relevantes como Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, indicando que o tarifaço também atingiu em cheio setores industriais. Em termos absolutos, porém, quem mais perdeu em dólares foram os estados de grande base exportadora foram os estados de Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo, que registraram rombos que vão de US$ 80 milhões a mais de US$ 230 milhões no mês analisado.

Dados que vão ao encontro dos dados da pesquisa apresentados do CNI, que mostrou que, apesar da variedade de parceiros comerciais, os estados mais industrializados sofreriam impactos mais profundos com a tarifa, como São Paulo liderando as perdas, seguido por Rio Grande do Sul e Paraná.

Espírito Santo teve uma queda de 8,1%. Os principais setores exportadores são a metalurgia (US$ 1,14 bilhão, 37,2%), minerais não metálicos (US$ 680,1 milhões, 22,2%), celulose e papel (US$ 559,8 milhões, 18,2%) e a extração de minerais metálicos (US$ 387 milhões, 12,6%). O tarifaço poderia representar perdas de R$ 605 milhões ao estado, de acordo com o CNI, e causou em setembro perdas de apenas 109 milhões de dólares, segundo a FGV. Já o Ceará não sofreu diretamente os efeitos das tarifas, gerando saldo positivo de mais de 150 milhões nos últimos três meses. 

Veja todos os produtos que ficaram de fora do tarifaço

Ao contrário da ordem executiva da semana passada, que era global, a determinação de agora se aplica somente ao Brasil. Trump citou a conversa que manteve com o presidente Lula (PT), no início de outubro, e escreveu que a retirada das tarifas é consequência das negociações entre o governo brasileiro e o estadunidense. Confira abaixo os produtos que tiveram a taxa reduzida:

Carne bovina

Tomate

Chuchu

Cogumelos

Feijão

Mandioca

Coco

Castanhas como castanha-do-pará, castanha de caju, macadâmia, nozes, pinhão e noz moscada

Frutas como banana, abacaxi, abacate, goiaba, manga, limão, laranja, kiwi, assim como alguns sucos

Café

Chá preto, chá verde e mate

Vagem

Canela

Orégano, curry e outras especiarias 

Farinha

Ceras vegetais

Tapioca

Pães, bolos, biscoitos e produtos de panificação semelhantes.

Açaí

Além disso, alguns fertilizantes, minérios e óleos minerais também ficarão de fora, como:

Ferro

Estanho

Carvão

Linhito

Turfa

Alcatrão

Petróleo

Óleos brutos

Combustíveis

Peças de aviação também fazem parte da lista. 

 

 

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