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PP: Ciro Nogueira joga a toalha e admite "falta de bom senso" da direita para enfrentar Lula

ELEIÇÕES 2026

19/11/2025 - 17:00

Diego Feijó de Abreu

PP: Ciro Nogueira joga a toalha e admite

Foto: Reprodução

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) admitiu publicamente, na manhã desta quarta-feira (19), que a oposição não possui estratégia definida para vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

Em publicação que pegou aliados de surpresa, o presidente nacional do Progressistas sinalizou uma mudança drástica de rota: a nova federação "União Progressista" deve abandonar a busca desenfreada por um candidato ao Planalto para focar na sobrevivência política no Congresso.

"Falta de bom senso"

Na postagem feita no X (antigo Twitter), Ciro foi taxativo ao diagnosticar o cenário da oposição. Segundo o senador, há uma "falta de bom senso e de estratégia no centro e na direita".

Diante desse vácuo de liderança, ele afirmou que defenderá junto a Antonio Rueda, presidente do União Brasil, que o foco da aliança sejam as eleições estaduais e o fortalecimento das bancadas legislativas.

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A virada de mesa do Centrão

A declaração funciona como um "balde de água fria" nas articulações da direita. Até então, a federação entre PP e União Brasil nascia com a promessa de ser a máquina propulsora de uma candidatura conservadora, fosse ela de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou de Ronaldo Caiado (União).

O recuo de Ciro confirma o que a Fórum vem noticiando: sem Bolsonaro elegível e com Lula consolidado, o "Centrão" prefere garantir seus feudos regionais e o fundo partidário a embarcar em uma aventura presidencial incerta.

Ao citar que o registro no TSE ocorrerá nos "próximos dias", Ciro delimita o terreno. A prioridade agora é matemática, não ideológica: eleger deputados e senadores para manter o poder de barganha, independente de quem ocupe a cadeira presidencial em 2027.

Direita segue sem nome competitivo contra Lula

O recuo verbalizado por Ciro ocorre depois de meses de guerra de bastidores pelo posto de “anti-Lula”. Como a Fórum mostrou em maio, governadores de direita como Caiado, Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr. (PSD-PR) e o próprio Tarcísio tentam se viabilizar para liderar o bloco conservador enquanto o bolsonarismo perde espaço e enfrenta investigações.

Mesmo assim, a federação comandada por Ciro e Rueda chega ao fim de 2025 sem um nome consensual para enfrentar Lula em 2026. Ao defender que a prioridade sejam “eleições estaduais” e “nossas bancadas”, o senador reforça a leitura de que o Centrão tende a concentrar esforços em manter e ampliar seu poder no Congresso, qualquer que seja o desfecho da disputa presidencial.

Fragilizado por derrotas na Justiça, como a ação em que tentou censurar a Revista Fórum por reportagem sobre fraudes no INSS e acabou vendo o Judiciário reafirmar a liberdade de imprensa, caso em que a revista saiu vitoriosa, Ciro entra nesse novo arranjo como apenas um entre vários caciques disputando espaço na direita. Sem projeto claro para o país e sem candidatura viável, a superfederação que prometia reorganizar o campo conservador assume, por enquanto, um objetivo bem mais modesto: garantir cadeiras, verbas e influência no Parlamento em um cenário no qual Lula segue sem um adversário definido à direita.

 

 

 

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