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VEJA O RANKING :Brasil vai do 22º para o 14º lugar entre países com maior criminalidade organizada no mundo

INSEGURANÇA PÚBLICA

10/11/2025 - 13:53 | Atualizada em 10/11/2025 - 19:13

Redação

VEJA O RANKING :Brasil vai do 22º para o 14º lugar entre países com maior criminalidade organizada no mundo

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Brasil apresentou piora no cenário global de criminalidade organizada e agora figura entre os 15 países com maiores índices do mundo, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (11) pela Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC). Segundo reportagem do jornal O Globo, o levantamento coloca o país na 14ª posição entre 193 nações analisadas, uma queda expressiva em relação ao relatório de 2023, quando ocupava o 22º lugar.

O estudo, intitulado Índice Global de Crime Organizado, considera dados coletados entre 2021 e 2025 e avalia tanto a intensidade das atividades criminosas quanto a capacidade de resposta dos Estados. A metodologia utiliza uma escala de 0 a 10, que mede o impacto do crime organizado com base em fatores como a estrutura dos grupos, os mercados ilícitos em operação e a infiltração nas instituições públicas.

Alta criminalidade e baixa resiliência

Apesar da piora no índice de criminalidade, o Brasil registrou leve melhora no índice de resiliência — que mede a capacidade de o Estado e a sociedade enfrentarem o crime organizado. O país passou da 94ª posição em 2023 para a 86ª neste ano. Ainda assim, integra um grupo de 66 nações com alta criminalidade e baixa resiliência, ao lado de países como México, Rússia, Etiópia e Camboja.

A GI-TOC destaca que essas nações sofrem com a presença de múltiplos mercados ilegais e deficiências nos mecanismos de enfrentamento. Mianmar, na Ásia, lidera o ranking global, seguida por Colômbia, México, Paraguai e Equador.

Em entrevista ao jornal O Globo em junho, o diretor da GI-TOC, Mark Shaw, destacou a combinação de fatores que tornam o cenário brasileiro particularmente complexo. “O Brasil é um país enorme que serve tanto como corredor para escoamento de mercadorias ilícitas quanto como um mercado interno, também de muitos mercados ilícitos, como cocaína, recursos ambientais, drogas sintéticas, extorsão, tráfico humano. Além disso, tem vários atores criminais diferentes, não só facções, como setor privado, alguns atores estrangeiros, como a Ndrangheta, os grupos dos Bálcãs… Somado a isso, o Brasil ainda tem baixos níveis de resiliência para o crime organizado”, afirmou.

Segundo Shaw, “resiliência” significa a capacidade do Estado e da sociedade de responderem às máfias e redes criminosas de maneira eficaz e coordenada.

Transformações no crime global

O relatório aponta que o crime organizado está passando por uma reconfiguração mundial. “As evidências apontam para mudanças profundas na dinâmica do cenário criminal”, diz o texto. De acordo com a GI-TOC, a integração global no combate ao crime está diminuindo em razão da retração do multilateralismo e do enfraquecimento de acordos internacionais de cooperação.

Os crimes financeiros continuam sendo o setor mais lucrativo e de maior prevalência global, com crescimento acelerado desde 2023. Já no mercado de drogas, observou-se a ascensão das drogas sintéticas e da cocaína, enquanto maconha e heroína perderam espaço. A maconha, no entanto, segue sendo a substância ilícita mais consumida no mundo.

A expansão da cocaína é diretamente ligada à América do Sul, segundo o relatório, que cita o Brasil como elo importante nas rotas internacionais. O estudo também observa que a produção de drogas sintéticas vem se tornando mais descentralizada, com laboratórios instalados próximos aos mercados consumidores, o que reduz custos logísticos e aumenta a autonomia das redes criminosas.

Infiltração no Estado e crimes cibernéticos

Outro ponto alarmante do relatório é o avanço de grupos com influência dentro do Estado. Em 80 dos 193 países analisados, os grupos criminosos exercem influência considerada severa sobre instituições governamentais e políticas.

Além disso, a pesquisa revela o aumento dos chamados crimes não violentos, como os financeiros e os cibernéticos. A falsificação também desponta como um crime em expansão, impulsionado pela inflação global e pelas guerras comerciais, que estimulam a procura por produtos mais baratos.

“O crime organizado não está apenas se expandindo, mas se reorganizando”, alertou Mark Shaw. “Esse relatório deve servir como base para a ação, a fim de mudar o rumo de como enfrentamos os danos crescentes causados pelo crime organizado.”

Ranking global de criminalidade (pontuação de 0 a 10):

Mianmar (8.08)
Colômbia (7.82)
México (7.68)
Paraguai (7.48)
Equador (7.48)
República Democrática do Congo (7.47)
África do Sul (7.43)
Nigéria (7.32)
Líbano (7.30)
Turquia (7.20)
Quênia (7.18)
Iraque (7.17)
Honduras (7.10)
Brasil (7.07)
Líbia (7.05)
República Centro-Africana (7.03)
Afeganistão (7.02)
Cambodja (7.02)
Síria (6.98)
Venezuela (6.97)

 

 

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