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GOVERNADORES DA DIREITA DE JOELHOS: Professor de Harvard elogia postura de Lula: 'se recusa a rastejar aos pés de Trump'

GUERRA COMERCIAL

09/08/2025 - 10:53

Redação

GOVERNADORES DA DIREITA DE JOELHOS: Professor de Harvard elogia postura de Lula: 'se recusa a rastejar aos pés de Trump'

Foto: Ricardo Stuckert

O economista Dani Rodrik, professor de Economia Política Internacional na Harvard Kennedy School, destacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos raros líderes mundiais a enfrentar o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, de forma direta.

Em artigo publicado nesta sexta-feira (8) no site Project Syndicate, Rodrik afirma que Lula “emergiu como o raro líder exemplar que se recusa a rastejar aos pés de Trump”.

"Apesar de enfrentar tarifas punitivas de 50% e ataques pessoais contundentes, ele defendeu com orgulho a soberania, a democracia e o judiciário independente de seu país. Como afirma o New York Times, 'talvez não haja líder mundial desafiando o presidente Trump com tanta veemência quanto o Sr. Lula'."

A análise de Rodrik parte de um cenário global em que, segundo ele, "essa liderança", se referindo a Lula, "tem faltado profundamente em todo o mundo". O economista destaca que a maioria das potências médias e grandes economias tem preferido adotar uma postura de acomodação diante das políticas comerciais punitivas e erráticas do presidente dos Estados Unidos. Para ele, essa tendência revela falta de propósito e de coragem política.

'Imperialismo trumpiano'

O artigo destaca que, na Índia, o comentarista político Pratap Bhanu Mehta aponta que muitas elites empresariais e políticas estão buscando maneiras de se acomodar a Trump (como parte da classe política e mídia corporativa brasileiras defende, aliás). Mas, ao fazer isso, argumenta Mehta, elas estão interpretando mal Trump e o mundo que ele está criando.

"Em qualquer outro momento da história recente, o comportamento do governo Trump seria imediatamente denunciado pelo que é: imperialismo – pura e simplesmente", pontua Rodrik. "O imperialismo deve ser sempre desafiado – não acomodado – e isso requer poder e propósito. É claro que os Estados Unidos controlam a economia mundial há muito tempo. O dólar está firmemente entrincheirado e o mercado americano continua singularmente importante. Mas essas vantagens não são tão fortes quanto costumavam ser." 

Para o professor, não faz sentido um país que controla apenas 15% da economia mundial (em termos de paridade de poder de compra) ditar as regras do jogo para todos os outros. Embora o resto do mundo permaneça dividido, ressalta, certamente todos têm um interesse comum em repelir o imperialismo trumpiano – e, portanto, em se unir para resistir às suas demandas.

A decepcionante União Europeia

"Diz-se que o verdadeiro caráter de cada um se revela diante da adversidade, e o mesmo se aplica aos países e seus sistemas políticos. O ataque frontal de Trump à economia mundial foi um choque para todos, mas também deu à Europa, à China e a várias potências médias a oportunidade de se declararem sobre quem são e o que defendem", pontua Rodrik. 

Ele ressalta que a atitude de Trump foi um convite para articular a visão de uma nova ordem mundial que pudesse superar os desequilíbrios, as desigualdades e a insustentabilidade da antiga. Mas a grande maioria decepcionou neste sentido, em especial a União Europeia.

"Em termos de poder de compra, [a União Europeia] é quase tão grande quanto a dos Estados Unidos – representando 14,1% da economia mundial, em comparação com 14,8% dos EUA e 19,7% da China. Além disso, apesar da recente ascensão da extrema direita, a maioria dos países europeus evitou recair no autoritarismo. Como um conjunto de Estados-nação democráticos cujas ambições geopolíticas não ameaçam os outros, a Europa tem tanto o poder quanto a autoridade moral para exercer a liderança global. Em vez disso, hesitou e se submeteu às exigências de Trump", explica o economista.

Novos princípios

Para Rodrik, "o mundo precisa de novas ideias e princípios para evitar tanto as instabilidades e desigualdades da hiperglobalização quanto os efeitos destrutivos das políticas de 'empobrecer o vizinho'. Não é realista esperar um novo acordo de Bretton Woods. No entanto, potências médias e grandes economias ainda podem modelar esses princípios, aplicando-os em suas próprias políticas."

"As ações de Trump serviram de espelho para os outros, e a maioria deveria reconhecer que seu reflexo não é nada bonito. Felizmente, sua aparente impotência foi autoimposta. Não é tarde demais para escolher a autoconfiança em vez da humilhação", finaliza.

https://www.project-syndicate.org/commentary/trump-tariffs-where-is-the-global-resistance-by-dani-rodrik-2025-08?a_la=english&a_d=6894cc83b715a1d17f471e9d&a_m=&a_a=click&a_s=&a_p=homepage&a_li=trump-tariffs-where-is-the-global-resistance-by-dani-rodrik-2025-08&a_pa=curated&a_ps=main-article-a3&a_ms=&a_r=

 

 

 

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