O controlador-geral do Estado, Paulo Farias, atendeu a convocação da Assembleia Legislativa e participou nesta quinta-feira (26) de audiência pública para explicar o vazamento de informações acerca da destinação de emendas parlamentares.
A audiência foi marcada por tensão, com cobranças e críticas dos parlamentares presentes que acusaram a Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) de "expor inocentes", "fabricar provas" e "vazar dados mentirosos" à imprensa. Na semana passada o portal UOL publicou reportagem sobre o envio do inquérito iniciado pela Deccor para a Polícia Federal, citando 14 parlamentares que, supostamente, teriam se beneficiado de superfaturamento na compra de equipamentos para a agricultura familiar, causando indignação do legislativo. Todos os citados negam irregularidades.
Paulo Farias esclareceu as as apurações que foram feitas para mapear a entrega de kits agrícolas comprados em 2024, durante audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), nesta quinta-feira (26.6). Segundo ele, a Controladoria Geral do Estado (CGE) não analisa envio de emendas parlamentares, mas sim, como o Poder Executivo está fazendo a aplicação dos recursos.
Conforme o controlador-geral, não existe nome de deputado estadual ou número de emendas nos relatórios feitos pelo órgão. Segundo ele, "no documento, a CGE citou o número da ordem bancária em que os valores foram depositados na conta da Organização da Sociedade Civil (OSC), que comprou e distribuiu os kits".
“Esses relatórios trazem situações encontradas na OSC, em nenhum momento citamos deputados. São relatórios que estão em sigilo e foram encaminhados à Polícia Civil, para que fosse feita uma investigação, uma vez que a CGE não investiga", destacou Farias.
ASSISTA
Paulo Farias também afirmou que as auditorias da CGE são técnicas, sem qualquer influência política.
“Cabe ao Poder Executivo fiscalizar a aplicação destes recursos, obedecendo aos princípios da administração pública, da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Fazendo isso a gente dá a segurança da legalidade e foi esse o trabalho da CGE”, ponderou.
O deputado Carlos Avallone (PSDB), um dos citados no inquérito da Deccor, disse que foi difamado. "Criaram uma emenda de R$ 10 milhões que nunca existiu. Disseram que eu destinei 25 mil kits que nunca foram comprados. Isso é difamação com selo oficial!”, disse Avalone.
"Vazar mentira para destruir reputações é crime grave. Alguém está usando a estrutura do Estado para atacar o Parlamento”, denunciou Avallone.
“A CGE diz que não investiga deputados, mas vasculhou nossas redes sociais! Só do Botelho pegaram mais de 100 fotos. Para quê isso? Estão nos espionando?”, questionou o deputado Wilson Santos.
Após a audiência, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, enviou ofício ao Governo do Estado solicitando que a Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) investigue o vazamento das informações, que estão sob sigilo da justiça.
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