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Réus, PMs integrantes de grupo de extermínio queriam ganhar fama de matadores de bandidos

Juiz aceita denúncia contra PMs acusados de matar 24 pessoas em supostos 'confrontos' em Mato Grosso

28/06/2024 - 14:04 | Atualizada em 30/06/2024 - 14:41

Cícero Henrique

Réus, PMs integrantes de grupo de extermínio queriam ganhar fama de matadores de bandidos

'Confronto' do Bope resultou na morte de seis pessoas, em julho de 2020

Foto: Arquivo/PMMT

O juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, recebeu a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra 17 policiais alvos da Operação Simulacrum, deflagrada em 2022. Ruiter Candido da Silva, segurança particular que ajudava os militares, também tornou-se réu. (Veja os nomes ao final)

O MP denunciou os integrantes do grupo de extermínio apontando que há diversas evidências de execuções sumárias, diferente do que diziam os boletins de ocorrência e registros oficiais, e pediu a prisão preventiva dos acusados.

Na decisão, o juiz aceitou a denúncia, mas negou a prisão dos acusados alegando que "não representam uma ameaça".

“Embora a materialidade delitiva esteja estampada nos laudos periciais de necropsia, bem como a presença de indícios suficientes de autoria delitiva ante os documentos amealhados no inquérito policial, verifico que os fatos imputados aos implicados ocorreram há mais de 4 anos”.

“Conquanto não se desconheça a gravidade dos fatos imputados aos réus, no caso dos autos o crime narrado foi praticado há mais de 4 anos, não havendo nos autos indicativos de qualquer fato novo ou contemporâneo que justifique a aplicação da medida. [...] No tocante à garantia da ordem pública, não restou demonstrado que os acusados, servidores públicos com endereços fixos e que sempre responderam a todos os atos processuais, representam uma ameaça concreta e atual à ordem pública”.

Motivação dos crimes

À época da deflagração da Operação Simulacrum, a Polícia Civil pontuou: “As investigações indicam que a intenção do grupo criminoso era a de promover o nome dos policiais envolvidos e de seus respectivos batalhões. Na época em que ocorreram os fatos, os policiais investigados encontravam-se lotados nos batalhões Rotam, Bope e Força Tática do Comando Regional”. Em outras palavras, desejavam obter fama de matadores de bandidos.

À época, o comandante-geral da Polícia Militar era o coronel Jonildo José de Assis, hoje deputado federal pelo União Brasil. Ele saiu em defesa da corporação naquela ocasião: “O que estão fazendo com os nossos policiais é um absurdo. Eles estão sendo acusados de execuções, quando atuavam em defesa da sociedade e da própria vida”.

Veja a lista de réus: 

1. ALTAMIRO LOPES DA SILVA
2. ANTONIO VIEIRA DE ABREU FILHO
3. ARLEI LUIZ COVATTI
4. DIOGO FERNANDES DA CONCEIÇÃO
5. GENIVALDO AIRES DA CRUZ
6. HERON TEIXEIRA PENA VIEIRA
7. ICARO NATHAN SANTOS FERREIRA
8. JAIRO PAPA DA SILVA
9. JONATHAN CARVALHO DE SANTANA
10. JORGE RODRIGO MARTINS
11. LEANDRO CARDOSO
12. MARCOS ANTONIO DA CRUZ SANTOS
13. THIAGO SATIRO ALBINO
14. TULIO AQUINO MONTEIRO DA COSTA
15. VITOR AUGUSTO CARVALHO MARTINS
16. WESLEY SILVA DE OLIVEIRA
17. PAULO CESAR DA SILVA
18. RUITER CANDIDO DA SILVA

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